Skip navigation

Monthly Archives: junho 2007

saintex31.jpg

 

Tudo bem, tudo bem… eu sei que é um lugar-comum desgraçado e tal, mas eu não podia deixar de registrar aqui no blog algumas impressões sobre essa obra simplesmente linda. Quando eu era guri, (na verdade um super-guri beirando a inconsciência) assisti o filme. Tenho umas imagens vagas na minha cabeça. Lembro bem de Gene Wilder fazendo a raposa… e só… rsrsrsrsrsrsrsrsrs… É claro que lembro do Pequeno Príncipe – um guri louro e guri. Mas os guris louros guris de filmes são todos iguais e assim dá tudo no mesmo. Mas isso não importa. O filme ficou como uma névoa na minha combalida cachola. Um amontoado sem sentido de imagens que sozinhas não significavam nada – embora houvesse, lá longe, um sentimento estranho relacionado a elas (mas não sei bem que sentimento era, então não importa). Bom, então eis que leio o livro nesse São João. Puxa… eu tava precisando de um troço assim, sabe… Não passava por minha cabeça que esse livrinho pequenininho pudesse guardar tanta coisa boa junta. O povo tem a mania de exagerar às vezes e a gente tende a ficar desconfiado e tal… mas a verdade é que o que se fala é pouco. Antoine de Saint-Exupéry é um gênio, na verdade. E não é um gênio por ter escrito “O Pequeno Príncipe”. Uma história como essa poderia ser inventada por qualquer pessoa com alguma sensibilidade e amor no coração. O problema é em como a história é contada. Eu posso falar do amor com mil palavras, mas alguém pode dar um jeito de arrumar umas quinze ou vinte e ser muito mais pungente e belo. Esse é o maior mérito, na minha tosca opinião. Não há muitas novidades nas páginas de O Pequeno Príncipe, mas coisas antigas foram decodificadas de modo tão magistral que entram direto no seu coração e são capazes de arrancar lágrimas até de um hipopótamo. Leiam.

solitude1.jpg

O que é a ansiedade? De onde vem? Pra onde vai? Tem cor? Gosto? Textura? O que é essa coisa que bole com sua barriga e deixa as tripas todas balançando lá dentro? O que é essa coisa que se junta com o domingo e pode virar um bala dentro do seu crânio? Ansiedade… ansiedade de quê? Por quê? Não faço idéia. Bukowski disse uma coisa chave: “Que tempos penosos foram aquele anos – ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade.” Só li, até agora, um livro desse pessoal da chamada Beat Generation, que foi O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger . E no momento estou lendo Misto-quente, do supracitado Charles Bukowski (que não é necessariamente Beat… mas deixa pra lá). Nossa! Isso é que são livros de auto-ajuda (rsrsrsrsrsrsrsrs). Esses dois caras são totalmente desajustados num mundo desajustado e mostram, através da escrita, que toda vez que alguém tenta se encaixar direitinho ela engorda, fica brilhosa, fica até mais corada e tudo mais… contudo, a alma começa a se esvair, pouco a pouco, até só restarem Bush e Lula. Ainda que nenhuma forma de governo tenha se mostrado verdadeiramente eficiente (afinal, se fosse assim, era só implantar o modelo da Suíça aqui e tudo bem) no final, tudo se resume a eles. Nós somos pó, palha. Nem somos excremento, pois excremento incomoda. Quem manda mesmo? Hem? Os ricos? Errado! Os políticos? Errado! Quem manda são os perversos, sejam eles pobres, ricos, políticos ou simples jardineiros! A prova? Olhe à sua volta, amigo blogueiro, é só olhar para os lados. E nosso corpo, digo o corpo físico mesmo, é como uma prisão cujas grades são feitas de medo e… caralho… ansiedade. Simples, não? Quantas vezes isso já foi dito, das mais variadas formas? Milhões, centenas de milhões… sei lá. O que sei é que tudo isso gera uma puta duma ansiedade infernal. Adaptando Bukowski: Que tempos penosos SÃO ESSES – ter o desejo e a necessidade de viver, mas não a habilidade. Puxa, vida… isso resume tanta coisa… Ninguém tem a obrigação de saber viver, ninguém tem a obrigação de continuar vivendo, ninguém tem a obrigação de aceitar uma vida de escravidão pois “…pela frente, apenas a perspectiva de servir de mão-de-obra barata em um mundo cada vez menos propício às pessoas sensíveis e problemáticas.” HAHAHAHAHAHAHAHA… Só rindo mesmo, pra não chorar. Bom domingo a todos.

 

 

lolita-cut.jpg

Lolita, de Vladmir Nabokov, é um bom livro, mas também não é pra se fazer tanto alarde assim. A primeira parte é muito boa. Mostra o pedófilo Humbert em sua luta encarniçada para conquistar o coração de sua garotinha. A trama, até aí, é bem agradável. Você sente ódio do cara e fica com pena da guria, mas depois a gente vê que o buraco é mais embaixo, que a coisa, quando rola sentimento, é bem complicada. O próprio personagem fala algo interessante, do tipo: se um menino de doze anos se apaixona por uma menina de doze anos, isso é totalmente diferente de um homem de sessenta que se apaixona por uma menina de doze… Isso nos faz refletir e pensar num lance mais ou menos desesperador, digo… desesperador para os homens – mas pode ser para as mulheres, também. A gente fica velho… o tempo passa, nosso físico vai se perdendo, nossa beleza… um dia, se tudo der certo (ou errado), seremos senhores e senhoras, e aquelas gatinhas e gatinhos serão como estrelas no céu – tão lindas e tão distantes… e a gente, como Tântalo, só vai poder olhar… a não ser que se seja Humbert… eis aí o “X” da questão. O pecado dele foi querer uma criança, praticamente. Mas mesmo que ele desejasse uma mulher de vinte, ainda assim seriam mais de quarenta anos de diferença. A verdade é que o cara gastou a maior grana pra agradar Lolita. Ele fazia todas as vontades dela, e, num dado instante, isso foi o que manteve por algum tempo ainda o romance… que já nasceu para ser sufocante e desesperador. O que um velho quer, dificilmente vai ser o mesmo que uma garota quer e um vai odiar o pique do outro. Se a gente pensar que romances entre pessoas jovens e bonitas quase sempre acabam na vulgaridade e na mesmice, em brigas, desentendimentos, imagine entre um sexagenário e uma pré-adolescente. Isso é pra refletir… estamos envelhecendo e os nossos parceiros também, mas a todo instante está surgindo gente nova, interessante, bonita (assim como gente feia e antipática, decerto – em maior número, por sinal)… Deste modo, o livro é ótimo até aí. Mas a segunda parte é muito grande, chegando a ser prolixa. Há quem goste… Quem aprecia J. Joyce com toda aquela chatice de “fluxo de consciência” vai adorar. Há momentos também extremamente descritivos (sacais) que nos remetem aos livros de José de Alencar (o seboso). Dou nota oito pra Lolita (a primeira parte puxou bastante a média pra cima).

Essa é dose. Destaque para a quantidade de presepadas por segundo… HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA…

Vixe Maria!!!! Hum, hum… Cruz-credo!!!! Tudo, tudo o que eu disser será pouco. Nada, nada pode exprimir o meu espanto, terror, alegria, sobressalto, agonia, desarranjo intestinal… Esse homem-aranha é simplesmente uma das coisas mais cretinas que já vi na vida. Homem-aranha japa, estilo spectroman, antigo e ruim, ruim até o buraco do olho da mitocôndria. O bicho é cheio de firula. Leva três horas pra dar uma porcaria de um golpe, sacode os braços, pula pra lá, pula pra cá, rebola, dá cabriolas e solta uma teia goguenta, um negócio horroroso… e por isso mesmo ótimo, maravilhoso, fantástico, bem melhor que esse super Spider-Man novo. Olhe, vou te dizer, uma bagaceira dessa levanta o teu dia, bota o teu astral lá em cima… HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA… Valeu Liu, mais uma vez…

 

Hoje, minha irmã me mostrou isso que ela achou na internet:

Asteróide Pallas poderá se chocar com a Terra em 2007.

Astrônomos amadores descobriram que o asteróide 2-Pallas teve sua órbita alterada e segundo os últimos cálculos está em rota de colisão com a Terra. Os principais centros espaciais do mundo ainda não se pronunciaram, mas já existe uma grande mobilização na comunidade científica e militar.

O impacto poderá trazer grandes conseqüências, levando em conta a extensão do asteróide, considerada a segunda maior do cinturão que vai de Marte a Júpiter.

O 2-Pallas mede 558x526x532 km e caso a informação seja confirmada trará mudanças sem precedentes na existência humana na Terra. A colisão deverá acontecer na primeira quinzena de julho de 2007. Logo, deveremos ter novas notícias das autoridades competentes, que por enquanto evitam comentar o fato para não gerar um descontrole generalizado na população mundial”.

Ah, se fosse verdade… rsrsrsrsrsrsrsrsrs…

 

 

 

Quem assistiu Desventuras em Série, deve ter notado (não precisa sem bom observador não) que Emily Browning, a garotinha que faz Violet Baudelaire, é uma fofura sem tamanho, um doce… Tudo bem, à época do filme ela não passava de uma lolita arrebatadora, mas agora Mimi já tá grandinha… e não menos arrebatadora (que boca!!!!). Fiquei um pouco decepcionado foi com o site dela. Há um tempo atrás, coisa de um ano, mais ou menos, ele tava mais bonitinho, mais sério. Tinha uma certa classe. Não sei o que houve que agora tá tudo mudado por lá… pra pior, é claro. Tá cheio de fotos bastante vulgares – a desse post tive que catar na casa do caralho, porque no site do xuxuzinho não tem uma que preste. Ah, sim! Ela faz aniversário no mesmo dia que eu… massa… rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs… ela nem sabe que eu existo… rsrsrsrsrsrsrsrsrs… não vai saber nunca…

Ainda sob o efeito de When Night is Falling… Já assisti cinco vezes! Nossa… Mas tudo bem, não quero aqui dizer que o filme é uma droga, ou parece uma droga… nem que parece uma cachaça…

Hoje é sábado, 17:57h… acabei de acordar de um terrível sono pastoso vespertino. Imagino, em parte, ter sido o efeito provocado pela música Triste Partida, de Luiz Gonzaga. Está chegando o São João e sempre nessa época, aqui na região, rola um clima bem diferente no ar. Na verdade, o céu da minha cidade cinza fica menos cinza… torna-se um pouco mais azul e luminoso e durante todo o dia rola uma agradável brisa. É o inverno. Decerto, em outros tempos, essa época foi melhor, como quase tudo na vida. Como disse mais ou menos em outro post, a gente vai chegando pra idade e o universo que nos cerca vai perdendo a qualidade da cor, como nosso próprio existir. Parece engraçado, mas cada pessoa envelhece junto com seu mundo… Não existe essa coisa de “o mundo se moderniza.” Repito, o mundo envelhece… juntamente com cada indivíduo. E cada qual vê a poeira do tempo corroer a “casa” de maneira diferente. Os filhos dos nossos filhos (se é que eles chegarão a existir) dirão que este tempo nosso é que era bom, assim como nós dizemos que no tempo dos nossos avós ainda havia resquícios de poesia. É claro que haverá os que dirão que há cem anos atrás a medicina era uma droga, as mulheres sofriam pra caramba, os gays eram perseguidos, os negros eram ainda mais escravizados e tal… tudo isso é verdade, mas… bom… naquela época existia esperança (ainda existia, pelo menos, um resto). Hoje só há tecnologia (quem é que lucra realmente com ela?) e nenhuma esperança. Umas coisas melhoraram e muitas outras se destroçaram. Quem viver no primeiro mundo, que fique por lá (onde as mudanças vêm de carroça), que aqui embaixo… hum… aqui as mudanças vêm de trem bala e sempre, sempre, sempre pra pior… Nem falo da vida vulgar de cara indivíduo (que já é uma grande porcaria) – mudanças de emprego, mudanças de casa, mudanças de cidade, mudanças de parceiros amorosos, mudanças de computador, mudanças de comportamento… é tanta mudança… nenhuma com qualidade. Falo da pura agonia, da pura ansiedade mesmo. Mas isso é bom pro nosso capitalismo selvagem. Toda essa aflição, toda essa estranheza, todo esse carrocel de eventos e reestruturações e desestruturações inopinadas servem exatamente pra obliterar e escravizar. Quanto menos o indivíduo tiver tempo para si, tanto melhor para o primeiro mundo… que é onde se faz arte de verdade. Ou seria arte de mentira? Ai, ai, ai… Vixe, deixa eu ficar quieto.

 

Os amigos blogueiros, ao longo de “todo” esse tempo em que estamos juntos, puderam notar que sou um sujeito sincero… às vezes sincero até demais. Tanto que tem gente que nem me cumprimenta mais na rua, por conta de algumas coisas mais pesadas que postei. Não ataquei ninguém diretamente, afinal não tinha por quê, e achava que todo o pessoal era amigo… mas os amigos de verdade, antes de criticar, costumam vir até a gente pra perguntar sobre os motivos que nos levaram a fazer ou dizer certas coisas… Acho que amigo é assim. O ponto positivo disso tudo é que pude fazer uma boa seleção… mais uma dentre tantas… Mas chega de história. Esse post é pra falar de uma obra de arte, de um filme meigo, doce, suave e lésbico (rsrsrsrsrsrsrs). Pois é, galera. O título dessa coisa linda, em português, é Quando a Noite Cai. Fala do processo de envolvimento entre uma artista de circo (Petra – interpretada por Rachael Crawford) e uma professora católica (Camille – interpretada por Pascale Bussières). Como dito, o romance é muito bom, muito bem costuradinho e não tem todo aquele sofrimento desgraçado que galera gay gosta de ficar pisando e repisando. É claro que se fala do preconceito, não tem como não falar, mas tudo é feito com extrema leveza e o que aflora é o principal, que é o amor puro entre duas gatas lindas. Decerto, o fato da história ser ambientada no Canadá pesa bastante pra que predomine esse clima de frescor matinal a cada segundo… um lance assim jamais poderia ser feito no Afeganistão, mas não precisa ir longe… aqui no Brasil não rola. É tudo muito limpo, muito chique, milimetricamente recortado e montado. A diretora Patricia Rozema conseguiu também algo bem distinto que é equilibrar pitadas de drama com pitadas de comédia, sem exageros e ridículos. Tudo rola em torno da sensualidade e de um erotismo de descoberta extremamente empolgante, algo que nos remete à agonia gostosa da adolescência, porém Petra e Camille já são adultas e maravilhosas e sabem curtir a parada. Tiro o chapéu para esse filme, que é considerado por muitos, o melhor filme lésbico já feito, e eu como bom admirador das meninas que gostam de meninas, tenho que reconhecer que, dos filmes que assisti sobre o tema, este foi, de fato, o mais legal.

labirinto-do-fauno-poster031.jpg

 

É pra quem tem nervos de aço… quer dizer… não é qualquer um, em qualquer momento da vida que pode assistir um filme assim, que fala que todo Ser Humano tem que, antes de mais nada, perder o medo de morrer. O pessoal que fez o flime está coberto de méritos, mas destaco uma parte, um momento que resume praticamente toda a película. A mãe de Ofélia, grávida, sente o filho mexer na barriga, ela então pede à filha que conte uma história para o bebê. Ofélia, grande leitora que é de contos de fadas, diz assim:

Meu irmão… há muitos e muitos anos, em um país longínquo e triste, havia uma montanha enorme de pedras negras e ásperas. Ao cair da tarde, em cima dessa montanha, florescia uma rosa que conferia imortalidade. Mas ninguém ousava se aproximar dela, pois seus muitos espinhos eram venenosos. Entre os homens, falava-se mais sobre o medo da morte e da dor… e nunca sobre a promessa de imortalidade; e todas as noites a rosa murchava, incapaz de conceder sua dádiva a ninguém, esquecida e perdida no topo da montanha fria e escura… sozinha até o fim dos tempos.

Uma lição assim se vê poucas vezes nesse cinema comercial… ou melhor, até se vê, mas não de forma tão direta. O filme é violento, cruel, e por isso mesmo verdadeiro e sua mensagem é de uma esperança baseada numa possibilidade tão remota quanto atraente. No final fica aquele ressaibo, aquele azinhavre na alma, aquela sensação de que a gente não faz nada, de que a gente é nada e que tudo pode ser bem mais simples… Mais uma vez vem alguém dizer que a vida pode ser boa, mas não é, de que tudo está diante dos nossos olhos, mas fazemos de tudo para não enxergar, de que todas as soluções são simples, mas sem complicação (burrice mesmo) não podemos exercer nossa humanidade superficial – aquela que interessa aos capitães da vida.

Faço apenas uma pergunta: A metáfora da rosa é simples, mas quem se emociona com algo assim, atualmente?