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Lolita, de Vladmir Nabokov, é um bom livro, mas também não é pra se fazer tanto alarde assim. A primeira parte é muito boa. Mostra o pedófilo Humbert em sua luta encarniçada para conquistar o coração de sua garotinha. A trama, até aí, é bem agradável. Você sente ódio do cara e fica com pena da guria, mas depois a gente vê que o buraco é mais embaixo, que a coisa, quando rola sentimento, é bem complicada. O próprio personagem fala algo interessante, do tipo: se um menino de doze anos se apaixona por uma menina de doze anos, isso é totalmente diferente de um homem de sessenta que se apaixona por uma menina de doze… Isso nos faz refletir e pensar num lance mais ou menos desesperador, digo… desesperador para os homens – mas pode ser para as mulheres, também. A gente fica velho… o tempo passa, nosso físico vai se perdendo, nossa beleza… um dia, se tudo der certo (ou errado), seremos senhores e senhoras, e aquelas gatinhas e gatinhos serão como estrelas no céu – tão lindas e tão distantes… e a gente, como Tântalo, só vai poder olhar… a não ser que se seja Humbert… eis aí o “X” da questão. O pecado dele foi querer uma criança, praticamente. Mas mesmo que ele desejasse uma mulher de vinte, ainda assim seriam mais de quarenta anos de diferença. A verdade é que o cara gastou a maior grana pra agradar Lolita. Ele fazia todas as vontades dela, e, num dado instante, isso foi o que manteve por algum tempo ainda o romance… que já nasceu para ser sufocante e desesperador. O que um velho quer, dificilmente vai ser o mesmo que uma garota quer e um vai odiar o pique do outro. Se a gente pensar que romances entre pessoas jovens e bonitas quase sempre acabam na vulgaridade e na mesmice, em brigas, desentendimentos, imagine entre um sexagenário e uma pré-adolescente. Isso é pra refletir… estamos envelhecendo e os nossos parceiros também, mas a todo instante está surgindo gente nova, interessante, bonita (assim como gente feia e antipática, decerto – em maior número, por sinal)… Deste modo, o livro é ótimo até aí. Mas a segunda parte é muito grande, chegando a ser prolixa. Há quem goste… Quem aprecia J. Joyce com toda aquela chatice de “fluxo de consciência” vai adorar. Há momentos também extremamente descritivos (sacais) que nos remetem aos livros de José de Alencar (o seboso). Dou nota oito pra Lolita (a primeira parte puxou bastante a média pra cima).

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4 Comments

  1. Eu não sei se concordo com você. Nunca li o livro, mas não deve ser pior do que o filme “Lolita”. O típico filme que se dorme do meio para o fim.
    PS: Quantas vezes você viu um homem de 60 se apaixonar por uma menina de 12?

  2. O filme que você assistiu foi o de Kubrick ou esse mais novo? O de Kubrick é legal. Olhe, nunca vi um homem de 60 se apaixonar por uma menina de 12, mas deve acontecer bastante, sem que a gente saiba…

  3. Foi um clássico. Talvez seja até possível, mas não é o tipo de coisa que acontece todo dia. Tem muita coisa pior que acontece por ai…

  4. Paixão é uma doença, garota… assim como a pedofilia.


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