Skip navigation

Monthly Archives: fevereiro 2008

    Ai, ai… segunda-feira… de novo…

    Quanto lamento, né? Eu queria até ter um pouquinho de alegria, de verdade e tal, mas… bom, como é que a gente faz pra ter isso, essa sensação de felicidade, alegria? Digo, na minha modesta opinião de escritor e poeta amador, o que vale mesmo é a pessoa bater no peito e poder dizer (sem orgulho, mas com naturalidade e sinceridade): sou feliz. Um dia me perguntaram sobre o que eu achava da missão do ser humano aqui na terra. Eu disse que, pra mim, a missão de toda e qualquer pessoa é a busca da felicidade e que essa felicidade estava muito relacionada a algum projeto pessoal muito importante. Ainda acredito nisso e penso que irei continuar a acreditar por muito tempo, afinal, é preciso ter um motivo pra se continuar vivendo, não é? Neste sábado, por exemplo, mandei meu primeiro livro para uma editora. Uma editora relativamente grande e conhecida. Tenho dois livros escritos e estou fazendo o terceiro. O que enviei para a editora no sábado tinha sido concluído há mais de um ano, mas só tive coragem de mandá-lo agora. Nessa semana baixou um troço em mim, preparei o exemplar, fui ao correio e o postei. Isso, esse troço que veio do nada, que pôs o dedo na minha cara e disse: “mande essa porra desse livro, rapaz”, tem uma relação extremamente íntima com essa busca pessoal pela felicidade. Eu sei que o mercado literário é super cruel e competitivo, extremamente restrito e fechado, essas coisas… mas é preciso tocar o barco a diante, ok? Não tenho grana pra bancar uma produção independente, daí, mando pro pessoal… e vou começar a mandar pra tudo quanto e lugar, concursos, editoras, universidades, sei lá… o que sei é que só em preparar o livro pra mandar, só em ver a moça do correio pondo a aquela fita amarela do sedex, aquele carimbo e aquela etiqueta com o código de barras, já me deu uma satisfação e tanto. O dia tava bem bonito e sábado, bom, sábado, pra mim, é o melhor dia da semana. Fiz o trajeto da minha casa até o correio cheio de satisfação, com uma alegria pura e verdadeira dentro do coração e quando voltei, com o comprovante e envio na mão, experimentei a mais cristalina e refrescante sensação do dever cumprido. Difícil é controlar a ansiedade, a qual já mereceu até post aqui no blog… sou ansioso demais… não sei qual será minha reação se a editora aceitar o livro. Ficarei muito alegre na hora, certamente, mas depois pensarei um monte de coisas, a maioria bobagens… vou pensar em sucesso, dar entrevistas, perda de privacidade e tal… Se o pessoal não aceitar, bom… o que posso dizer? Já estou acostumado ao fracasso, um a mais, um a menos, ainda que seja relacionado a uma obra, que é quase como um filho, ainda assim, aceitarei com resignação… Mas até a resposta não chegar, alimentarei esperanças e pensarei nas melhores possibilidades, sem me iludir, é claro, sempre com os pés no chão. Se vier negativa, direi a mim mesmo: tudo bem, os caras não aceitaram, mas valeu ter vivido o sonho… O que vale na vida é isso. É poder sonhar, e poder correr atrás das coisas visando a felicidade e a alegria… De que vale viver sem alegria e esperança? Pra quê viver sem perspectivas? Tudo bem que a gente fique triste até mesmo a maior parte do tempo (eu sou assim), mas é preciso querer sair disso, é preciso buscar meios de se sorrir, de se amar, de se ser feliz e contente, pelo menos consigo mesmo, porque com o mundo é praticamente impossível. E fazer sua parte, não é o que realmente importa? Se cada um fizer o seu com dignidade, verdade, força, amor, justiça e arte, será que as coisas não vão indo pro lugar, por elas mesmas? Pois é… penso que, no fundo, no fundo, tudo é muito, mas muito simples… mas o fel é deveras poderoso. Uma gota faz o oceano inteiro amargar… mas isso é outra história – e bem batida, por sinal.

    Ai, ai… essa experiência de mandar o livro pra editora refrescou bastante minha cabeça e minha alma, galera… abriu uma portinha lá longe, uma portinha quase intangível, cercada de espinhos e arames farpados, com uns cachorros ferocíssimos rondando etc, mas é uma porta, certo? Enquanto a negativa não chegar haverei de tragar a idéia do sonho… pra me sentir um pouco melhor na vida. Quando ela vier, respirarei bem fundo – talvez permita que uma ou duas lágrimas caiam dos olhos – e seguirei andando, como sempre fiz, faço e farei, até a Dama Negra resolver, final e piedosamente, lançar mão de sua foice – não se iludam: a morte é uma dádiva.

    Boa semana a todos, e que Jesus despeje em suas almas toneladas de alegria, esperança e paz.

Anúncios

Bom dia, gatinha.

Olha, eu pensei a madrugada toda sobre nós dois, certo? E a conclusão a que cheguei, é… bom, antes vou te falar um negócio: você é uma pessoa adorável, inteligente, meiga, bonita… qualquer homem vai te achar encantadora, logicamente. Eu te acho encantadora, mas o problema está em mim, R***. Acho que morrerei sozinho, sem ninguém. Às vezes, nem eu mesmo me suporto. Não gosto de viajar, não gosto de festas grandes, não gosto de praia, não gosto de ver muita gente… Certamente, sou o contrário de ti, e de muita, muita gente… gosto de ficar lendo, escrevendo, assistindo filmes, jogando video-game… esse sou eu, certo? É horrível, mas é a verdade. Tem horas que noto que você fica muito triste, ao meu lado, e a última coisa que quero, é fazer alguém triste, ainda mais alguém como você, que merece ser feliz, de verdade. Daí, acabo ficando triste, também… e foi o que te falei: não vamos cometer os mesmo erros dos nossos pais: vamos buscar a felicidade. Você está numa idade crucial para uma mulher, uma idade muito boa, principalmente para conhecer pessoas. Do jeito que as coisas estão entre a gente, acho que você pode estar perdendo tempo comigo. Bom, pra resumir: acredito que temos de parar de nos ver, ok? É bom pararmos de escrever um para o outro, essas coisas. Não acredito em amizade entre ex-namorados. É claro que vou falar contigo, se te vir na rua, e tal, mas não vou ficar numa mesa com você, num bar ou num restaurante, por exemplo… ainda mais se eu estiver sozinho. Isso vale para as outras meninas com quem me relacionei antes de ti. É por isso que hoje em dia, não quero mais aventuras… Chega de ficar com uma menina e ter de acabar… isso dói, é chato pra caramba. E fico vendo que, a cada dia que passa, vou me tornando um sujeito mais estranho e solitário… É melhor até ficar só de vez, e esquecer essa coisa de relacionamento. Vai lá que a menina morre, adoece, arruma outro… minha vida já é muito triste, R***, apesar das coisinhas que consegui… todo dia, penso em deixar essa vida… você não merece alguém assim, de jeito nenhum. Acho que é esse meu destino: solidão, tristeza, literatura e morte. Amor, só se for pelos livros, mesmo. Acho que mulher nenhuma vai conseguir me aturar… e eu entendo, sinceramente. Não precisa responder essa carta, se não quiser. Por favor, entenda meu lado: pra mim, não dá pra acabar pessoalmente, não consigo… vou ficar querendo te beijar, te abraçar, e aí volta tudo… vamos parar de nos ver. “O que os olhos não vêem, o coração não sente”, não é verdade? Mas saiba que você fez, faz e fará parte da minha existência, e onde eu estiver, lembrarei de ti, com muito carinho. Pode ter certeza, R***, que isso será melhor pra nós dois, principalmente para você. E um dia, quando tiveres teu amor de verdade, você se lembrará de mim e agradecerá pela sinceridade que estou tendo agora…

Beijos, garota, muita sorte, paz e amor na sua vida e adeus.

Otávio era um cara não tão comum… um daqueles coitados que escrevem e lêem relativamente bem, mas têm que ralar o bucho numa empresa qualquer, e se foder com assédio moral… essas coisas que vocês já sabem. Vanessa era uma potência (é claro). Um vulcão. Uma mulher atômica, cheia de desejos, inquieta… É claro que ela era atriz… mas Otávio era quadrado… Um dia, eles tiveram o seguinte diálogo:

-Otávio, consegui um papel super legal, numa peça!

-Bacana! Que peça é?

-”Sexo, desvio e danação”, baseada num livro de história. Imagine!

-”Sexo, desvio e danação”, é um nome picante…

Vanessa, engoliu em seco… Eles já tinham conversado sobre ela fazer papeis muito fortes…

-Tem nudez? – perguntou Otávio.

-Sim… tem, mas…

-Tem cena de sexo?

-Sim…

-Você vai fazer alguma coisa assim?

Havia uma cadeira próxima. Vanessa deixou-se cair nela.

-Você me tolhe – disse ela.

-Você vai transar no palco? Vai ficar nua?

-Vou, Otávio, vou…

-Caralho!

-Você não escreve seus contos, seus livros?! Você escreve um monte de sacanagem e eu não digo nada!

-Não é a mesma coisa… Não adianta! São universos diferentes!

-É arte…

-Como é a cena que você vai fazer?

-Otávio, veja…

-Como é a cena que você vai fazer, desgraça?! – gritou Otávio.

Vanessa nunca o tinha visto daquela forma. Chegou a ficar assustada.

-É um papel… não sou eu…

-Se você não me disser como é essa porra desse papel, eu juro que nunca mais olho pra tua cara. Agora, fala! Diz como é a porra do papel!

Vanessa levou a mão ao rosto. Tinha-se tornado lívida e sua respiração tinha apertado.

-Olhe…

-Fala, Vanessa! Não enrola! Como é essa miséria desse papel?! Eu estou a um passo de nunca mais olhar pra você…

Vanessa então gritou, atalhando o namorado:

-Faço o papel de uma menina de família que é estuprada por oito rapazes, no período da idade média, depois faço uma prostituta e uma bruxa!

-E daí?

-E dai, o quê, seu idiota? Burro!

-Você fica nua? Os caras botam a rola de fora e encostam no seu rabo nu?

-Encostam… é um papel, seu burro! Não sou eu! É a personagem!

Otávio cerrou os punhos… irado… Vanessa, sempre que ficava nervosa e vermelha e gritava, ficava linda. O ódio dela, a forma como ela estourava, enchia Otávio de tesão, mas naquela noite, bom, naquela noite ele queria que ela virasse pó.

-Suma da minha frente – disse ele.

-O que?

-Suma, desapareça, senão eu te mato.

-Seu viado! Burro!

Otávio pegou Vanessa pelo braço e levou-a até a porta da rua.

-Suma, sua puta! Antes você fosse uma atriz pornô!

-Sabe o que é que você é?! – gritou Vanessa da calçada. -Um verme pequeno burguês, hipócrita, dissimulado, punheteiro, pau no cu!

-Não é a toa que você é doida por mim, sua vaca!

-Viado! Viado! Viado!

-Vá procurar um corno que fique batendo punheta enquanto você é enrabada por outro! E suma da minha frente, senão eu te mato!

Otávio bateu a porta com extrema força e entrou… Chorava. É claro que ele era doido por Vanessa. Ela era linda, inteligente, alegre, cheia de vida… mas ele não entendia aquele gosto dela de se expor tanto. Quando se conheceram ela já tinha feito um sem número de papeis assim… Mas, depois que passaram a namorar houve um acordo tácito (pelo menos foi isso que Otávio pensou) no qual ela iria fazer coisas mais amenas… Daí, de repente, a surpresa: um papel pra lá de ousado, mas que abriria muitas portas para ela… Otávio foi no armário da cozinha e pegou a garrafa de vodca. Tomou três doses direto do gargalo. Não tardou para sentir o efeito: algo como uma pancada na nuca. Depois levou a garrafa à boca de novo, e outra vez, e outra… Num dado instante, começou a ouvir batidas à porta. Eram batidas fracas… Chegou perto e ouviu a voz da namorada, baixinho: “vamos conversar… por favor, deixe-me entrar…” Otávio olhou para a garrafa e viu que ainda havia meio litro e ele estava muito, mas muito bêbado.

-Vá embora! – gritou ele.

-Você bebeu?! – respondeu Vanessa do outro lado.

-VÁ EMBORA, SUA PUTA! SUMA! PELO AMOR DE DEUS!

-Otávio… por favor… vamos conversar…

Otávio deu meia volta e foi até o quarto. Olhou para a parte de cima do guarda-roupas… Viu a caixa. Como era alto (tinha 1,85m) alcançou-a sem dificuldade. Ainda podia ouvir a voz de Vanessa vindo do lado de fora. Abriu a caixa. Pegou a escopeta e um cartucho. Carregou a arma e foi até a porta. Disse então, com a voz e os sentidos alterados:

-Vou contar até três, pra você sumir!

-Otávio…

-Um…

-Vamos…

-Dois..

-Conversar…

-Três!

Nesse exato momento, ele abriu a porta e disparou no rosto de Vanessa. Ele jamais esqueceria a cena: a cabeça da namorada esmigalhando, ossos, sangue e tecidos sujando toda a rua.

 

 

carnaval.jpg

Eu odeio carnaval. Diabo de festa idiota do caralho. A única coisa boa é o feriado. O carnaval de Salvador, por exemplo é uma arena. Pra quem nunca foi é mais ou menos como a cena da batalha dos elefantes do Retorno do Rei, só que um pouco mais violenta. Pensem num monte de homem suado trocando murros. Só tem homem dando e levando socos atrás do trio. As mulheres mais bonitinhas ficam ou em cima dos trios, ou nos blocos mais caros, e que só aceitam gente branca. Aqui na região, quando é véspera de carnaval, os índices de assaltos aumentam assustadoramente. É o pessoal trabalhando pra poder curtir a festa. Um amigo meu foi assaltado ontem, aqui na minha cidadezinha tipicamente interiorana. Curiosamente, ele estava com uma menina de Salvador – e que nunca foi assaltada lá, na capital. Kkkkkkkkkk… Desculpa, gente, mas isso é engraçado, é trágico, mas é engraçado. O ladrão, uma hora dessa, deve estar curtindo Ivete, ou Chiclete – que é mais afeito a esse tipo de gente. O Chiclete com Banana é acusado de ser uma das poucas bandas que não para de tocar quando acontecem assassinatos atrás do trio, e dizem as más línguas, que quando fecha o cassete pra valer, é aí que eles aumentam mais o ritmo das batidas do mais puro axé.

O carnaval carioca… bom… aí é pano pra manga. Só tem traficante, puta e ladrão… Dá até preguiça de escrever. Não precisa falar que a única coisa boa é as mulé pagando peitinho – mas até isso jã não tem mais tanta graça. O resto pode jogar no lixo. Um monte de bosta cafona, de mau gosto. Cada samba enrendo é mais imbecil que o outro… vixe… chega… até esculhambar essa porra enche o saco…

507px-coat_of_arms_of_mecklenburg-western_pomerania_greatsvg.png

Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, ou Graciosa Terra dos Cornos, em Alemão, é um dos dezesseis estados federados da Alemanha. Com 24.000.000m² de extensão territorial e 24.000.000 de habitantes é um país alegre e de clima ameno, que se destaca pela produção de pó de chifre de alta densidade, perdendo apenas para o campeão mundial, a Cornoália, região do Leste Europeu. O brasão da Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental deixa bem claro a vocação do seu belo povo. Os dois bois-da-cara-preta blasé simbolizam a expressão dos homens quando chegam em casa após um duro dia de trabalho: olhos estúpidos ante a dureza do existir e de um mercado cada vez mais competitivo (que o obriga a ficar horas e horas no serviço dando serão), a língua para fora em sinal de cansaço (embora alguns estudiosos considerem que o gesto é lascivo), uma coroa representando a imagem do corajoso chefe da família e o belo par de chifres em homenagem à condição de todos os homens do lugar (e quiça do mundo). A cor preta – uma vez que se trata de um povo da cor branca – significa a raiva contida do homem civilizado, ou do “corno manso” segundo o historiador indú Zedha Tapioccha. O fundo amarelo é justamente o contraponto a esse estado alterado e brutal do espírito: o medo de brigar com a esposa adultera e a cor das fezes liquefeitas do homem que se embriaga da mais pura vodca para esquecer a traição. Os dois grifos vermelhos mostram a mulher em suas duas principais condições: de frente e de lado, seja lá o que isso venha a significar. Até hoje ninguém conseguiu explicar o que é aquele troço amarelo pendurado nas asas do grifo que fica na parte de baixo do brasão. Eu mesmo não sei que diabo é aquilo. O célebre historiador árabe, Haddor de Kaggar, em uma de suas brilhantes palestras, em consideração aos troços amarelos, disse com essas mesmas e sábias palavras, “sei não”, arrancando aplausos entusiasmados da plateia de mais de oitenta mil pessoas que lotavam o ginásio balbininho aguardando o show de acrobacias aéreas dos marionetes da Companhia de Bonecos da República Tcheca, quando de sua primeira e única apresentação em terras tupiniquins no ano de 1919. A cor vermelha dos grifos (embora todos os grifos sejam vermelhos mesmo) mostra o ódio da mulher toda vez que ela pede dinheiro ao marido para comprar comida e ele diz, travado de vodca, caído no sofá com a televisão ligada: “eus minhos dfoi sfgfigu sldiofgis sldl dofi os fdafa do ogs…” Sua disposição agressiva, com as unhas crispadas e o bico aberto em sinal de ataque, só reforçam isso.