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Monthly Archives: setembro 2008

Tawnee Stone é foda, literal e não literalmente. Ela nasceu em 82, portanto teria 26 anos hoje (digo teria, porque não sei o mês que ela nasceu, ora bolas). Bom, há exatos dez anos atrás, que foi quando iniciei, pra valer, minha incursão pelo mundo da net ela estava com 16… Uns dizem que seria na verdade 15, ou 14… Tawnee é americana, nasceu numa cidade chamada Crystal Lake, no estado do Illinois (e não no Texas, como muitos pensam). Muito provavelmente era maior de idade quando fez as primeiras fotos, afinal os caras lá pegam no pé da galera. Procurei Crystal Lake no Google Earth e não é que encontrei a danada da cidade! É até bonitinha, bem arborizada, cheia de ruas largas e bem plana. Fico imaginando a pequena Tawnee, com seus sete, oito aninhos, toda serelepe, brincando (de médico certamente) com seus amiguinhos e tal… Quem poderia imaginar que anos mais tarde, onanistas do mundo todo tocariam odes em sua homenagem (em 2005 houve mais 1,6 milhão de buscas pelo seu nome no Google – agora, imagine!). Quando falo de Crystal Lake, vocês podem até achar meio enfadonho, mas foi lá que a mulher nasceu, caralho! E é uma cidade bem pequena, com menos de 45.000 habitantes, mas com alto IDH… coisa do primeiro mundo. Só não me perguntem porque Tawnee precisou se prostituir pra viver… Talvez fosse por esporte, quem pode saber ao certo? Americano é bicho doido… Quem tiver o Google Earth, dê um saque em Crystal Lake… Você não perde nada. É aquela tipica cidadezinha norte-americana bem sessão da tarde… sabe aquela história de uma garotinha (não foi Tawnee, com certeza) que perde um cachorrinho e tal… é por ai… Daí, fico divagando: “e se um dia eu for a Crystal Lake” Provavelmente alguém de lá sabe quem é, de fato, Tawnee. Digo isso porque Tawnee é o pseudônimo que ela usa no site oficial que é parte da Lightspeed Media Corporation. É uma tipo de rede de sites fundada em 1999 por um tal de Steve Jones, algo mais ou menos como João da Silva, aqui. Não achei nada sobre o cara na Net (tem uma porrada de Steve Jones, mas nenhum é o cabra). Acho que se fuçasse mais acharia, mas deu preguiça. Além disso eu quero que Steve Jones se foda, tô cagando pra ele e pro modo fácil e gostoso como ele enche o bolso. Punheteiro filho da puta! Muitos consideram Tawnee o verdadeiro astro do mundo erótico da net, vejam bem, “DA NET”. Pelo que eu saiba ela não fez aqueles filmes pornôs típicos de locadora. Pesquisei e não vi nada. Tenho em meu acervo particular de “web videos”, (que ultrapassa a casa dos 5 terabytes) mais de seis horas de materiais capturados, todos dela, e não há qualquer transa com homem, exceto uma. Uma bosta, um cocô, de uma foda com um amarelão lá, gordo (e pelas aparências altamente flatulento) cujo pau, ignominiosamente, sequer subiu direito, e ele fica lá em cima de uma Tawnee enojada, sem graça e aparentemente drogada. No final da “coisa”, pois aquilo não é uma foda, é uma “coisa”,  tá ela lá com um gel na cara. A pergunta é: Seria a porra do cara? Seria um mingau de maisena feito às pressas? Não dá pra ver porra saindo do pau do cara!!!… Em sérias discussões entabuladas em sérios sites de discussão cujos nomes me falham agora, levantou-se uma interessante tese, a mais aceitável, mas nem por isso a menos mirabolante: aquele seria o verdadeiro Steve Jones. Especulou-se, à época, que ele detinha a exclusividade do nome/marca Tawnee Stone e abraçava todos os direitos de exploração sobre ele tanto no site quanto fora. Diz-se que Jones a assediava constantemente com pedidos de casamento e namoro, tendo ela rejeitado todos. Ao mesmo tempo, Tawnee, então já maior de idade, e com um agente e um advogado, buscou pleitear os direitos ao seu nome artístico e tudo aquilo que a ele viesse atrelado. Um acordo foi feito. Steve Jones levaria uma grana (cerca de vinte por cento de tudo que o nome Tawnee Stone ganhou, ganha e ganhará durante vinte anos) e além disso, queria ter o registro de uma transa (sua – dele) com ela. Transa essa, que vazou, é claro. Você vê que Tawnee tenta parecer alegrinha, contente, mas tem algo errado ali, é visível… Mas bom, deixemos um pouco de lado este assunto. Falemos de coisas menos sórdidas… Tawnee, como muitos sabem, fazia ou faz (diz-se que todas as fotos dela tem mais de oito anos e ela não é mais fotografada – foram tiradas milhares de poses num curto intervalo de tempo, para aproveitar todas as nuances de sua juventude peculiar – mas isso também é especulação) bom, como eu ia dizendo, ela faz ou fazia um tipo de pornô softcore, sem muita sacanagem e violência (excetuando-se a tragédia citada acima). Como ela era uma gatinha e não pegava muito pesado, deve ter surgido um monte de cara a fim dela, ou não… Ela deve ter juntando uma graninha, ou não… Rolam na Internet, três versões do que pode realmente ter acontecido a Tawnee. 1) Ela se mudou para Orlando, Florida, onde cuida de um Pet Shop mais uma garota, sua parceira. Elas adotaram uma garotinha vietnamita e vivem muito bem. 2) Ela comprou um rancho no Texas mais uma garota, com quem vive um tórrido enlace, e tenta, através de sucessivos cruzamentos (agronômicos) introduzir (agronomicamente falando) o gene da raça zebuina nos tradicionais cimentais americanos. 3) Ela busca desesperadamente encontrar o dono do blog Armazém de Luzes…

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Eu aqui tentando parar de beber, daí vem Steinbeck e escreve uma porra dessas:

“E sempre que um homem tivesse um pouco de dinheiro podia embriagar-se. Aí acabavam-se os ângulos duros, e tudo era quente, confortador. Aí não mais havia solidão, pois que o cérebro povoava-se de amigos e o homem podia achar seus inimigos e aniquilá-los. O homem estava sentado num buraco e a terra tornava-se macia debaixo dele. A desgraça doía menos e o futuro não mais aterrorizava. E a fome não mais rondava perto, o mundo era suave e sem complicações e o homem podia chegar aonde quisesse. As estrelas desciam para maravilhosamente perto e o céu era tão encantador! A morte era um amigo e o sono era irmão da morte. Voltavam os tempos antigos… uma moça de pernas bonitas, com quem outrora se dançava em casa… um cavalo… oh, faz tanto tempo que isso aconteceu! Um cavalo e uma sela. Uma sela de couro trabalhado. Quando foi mesmo que isso aconteceu? Eu devia era encontrar uma moça com quem conversar. E seria tão bom! Até, quem sabe?, eu podia dormir com ela. Mas que calor faz aqui! As estrelas tão pertinho da gente, e a tristeza e o prazer tão pertos um do outro, a mesma coisa, no fundo. Só queria era estar o tempo todo bêbado. Quem foi que disse que isso não prestava? Quem ousa dizer isto? O pregadores, mas ele têm a sua maneira própria de se embebedar. Mulheres magras, estéreis, mas estas são por demais miseráveis para compreenderem uma coisa assim. Os reformadores, mas estes não conhecem a vida bastante de perto para poder julgá-la. Não senhor… As estrelas estão muito próximas, tão próximas, e eu pertenço à confraria do mundo. E tudo é sagrado… tudo, até eu mesmo.”

O grande dia chegou. Léo estava excitado, de fato. Não foi para o trabalho. Sequer disse nada ao pessoal. Apenas não foi. A única pessoa que sabia o que ele haveria de fazer naquela segunda-feira era Carla, a garota do almoxarifado – que todo mundo na empresa (até uma supervisora) comeu, inclusive ele. Mas entre eles o lance era diferente. Rolava algo muito próximo do amor. E Carla gostava tanto de Léo que, muito embora ela desaprovasse o que iria acontecer naquela manhã com o amigo de trabalho e de cama, ainda assim ela procurou compreender. No íntimo não aceitou, mas procurou compreender. Era nela que Léo pensava naqueles últimos instantes, sentando em sua cama, encarando o chão. Tinha tomado uma boa dose de benzodiazepínico com álcool, para aliviar um pouco a tensão. Daqui a poucos instantes pegaria o metrô para a clínica. O metrô passava a algumas centenas de metros do cubículo onde morava. Olhava para o relógio, e aqueles eram os últimos momentos que faria aquilo na sua vida. O telefone tocou. “Deve ser o pessoal da empresa”, pensou. Léo adorou não ter que pegar o gancho… mas… bom, podia ser outra pessoa. “Sim”, pensou, “e se for outra pessoa?” Léo estendeu a mão e pegou o fone. Era Carla. Ela chorava.

-Você vai levar isso adiante? – disse ela.

-Vou Carlinha. E mesmo que quisesse voltar atrás, já paguei a maior grana.

-Você só precisava de uma mulher, Léo, uma mulher bem bacaninha… Tipo eu, assim…

Ambos riram.

-Mas é sério – continuou Carla -, um amor resolve muitas coisas.

-Você tem um amor? – perguntou Léo, num tom meigo, mas ao mesmo tempo mordaz.

-Não… – disse ela titubeando.

-Você só quer foder, Carlinha, e fica falando em amor. Eu gosto de você, mas a gente nunca ia dar certo.

Houve uma pausa do outro lado. Em seguida, Carla disse:

-No dia que eu achar um cara bacana eu me conserto.

-Toda puta fala isso.

-Eu não sou puta, putas cobram. Eu transo por gosto.

-Tá, tudo bem, você entendeu.

Outra pausa.

-Não faça isso Leozinho, por favor, vou sentir tanto sua falta… seu jeito, suas piadas, essa sua cara de sono, de falta  de gosto como tudo… isso me deixa tão molhadinha… kkkkkkk…

-Você ficará molhadinha por outras razões, umas tão nobres quanto, outras nem tanto.

-Nossa, esse seu humor é tão refinado, é tão gostoso… Não se vá, meu lindo, não se vá.

Léo suspirou do outro lado da linha. Carla era uma mulher de sexualidade plenamente amadurecida, repleta de artifícios, dotes, mandingas, magias, amuletos e outras coisas mais. Ela adorava deixar os cabelos pretos caírem até o meio das costas. Tinha a pele branca, olhos azuis e lábios grandes e finos. Seus quadris eram largos, mas bem proporcionados. Léo sentiria falta de a segura-los nus, com força, durante o amor. Em compensação seu seios eram diminutos, muito pequenos, pequenos botões cor-de-rosa. Ela usava os mesmos sutiãs de sua prima de onze anos de idade.

-Vou sentir sua falta, lá onde eu estiver – disse Léo engolindo em seco.

-O que eu não faria pra você mudar de idéia.

-Você é especial, minha gostosa… Continue dando bem essa sua buceta, que você será uma mulher muito feliz.

Riram.

-Mas é preciso que eu parta – disse Léo, batendo o telefone após consultar o relógio.

O aparelho tocou até ele tomar a rua. Carla largou as incumbências do almoxarifado e saiu.

Léo vestiu seu casacão. Fazia frio. Andou meia hora até o metrô. Quando lá chegou, viu Carla.

-O que você faz aqui? – perguntou ele, muito naturalmente.

-Posso te dar um abraço? – ela soluçava. – O último?

Léo, sem nada dizer, foi até ela. Abraçaram-se por um longo tempo. Tempo suficiente para o metrô chegar.

-Já vou – disse ele.

-Não, meu amigo, não vá, por favor…

-Vou, garota. Tenho que ir.

Finalmente, Léo entrou no metrô, a caminho da clínica de suicídio, onde tomaria uma injeção letal, paga vários meses antes. Aquela era uma febre que se estendia de ponta a ponta do globo. Milhões e milhões de pessoas, por todos os cantos, pagavam pequenas fortunas para deixar de viver através de uma injeção letal, algo que, nos primórdios se era reservado apenas aos piores bandidos. Carla chorou naquela tarde, pelo seu amigo Léo, e mais ninguém. E o mundo seguiu, sem Léo, sem sentir sua falta, sem que nada, absolutamente nada, ficasse diferente.

Domingo, fim de noite… Tédio total. Só esperando a hora de dormir. 21:20h… Depois das dez não dá mais pra voltar atrás… é a semana começando… Vou tentar jogar um pouco de Gears of War, ou Bioshok… fugir da realidade é o grande barato. Não se pode deixar a peteca cair, jamais! A depressão tem a força de mil homens maus e poderosos! Penso até em rezar… Nossa! Fico pensando nos jogos novos que pedi pela internet e sinto vontade de continuar vivendo só para poder jogar… Caralho! Querer viver por causa de uma merda tão grande! O consumismo se entranha em sua vida, cara, e você não percebe. Domingo… Fantástico, Faustão, Gugu, essas coisas ainda existem! Fugir da realidade… Enlouquecer… Morrer… Interessante como estas palavras hoje são aconchegantes. Possibilidades, sim possibilidades… Não dá pra manter a sanidade num mundo louco, não dá, a gente tenta mas não dá… As variáveis são muitas, não há controle, não há controle… 21:31h… engulo a saliva e olho a cama. “Não vou dormir direito hoje, já sei…” Mais uma noite longa, encima da cama, rolando, sendo acometido por pesadelos recorrentes, suando, gritando e roncando feito um personagem de um filme de terror… Vejo os livro aqui ao lado: “Cerimônias Satânicas” de Ted Klein e “As Vinhas de Ira” de Steinbeck… Li pouco hoje… Não fiz quase nada, hoje… Agora, escrevo essas palavras em busca de algum conforto… Sim, escrevo. Escrevo… Pergunto a mim mesmo se Deus está me vendo agora… Se ele tem algum plano pra mim… Nossa, a autopiedade é dose! Sinto pena de mim mesmo, e não tenho como evitar esse sentimento pavoroso! 21:37h… Passo a mão pela barba: amanhã tenho que fazer a barba… não queria, mas tenho que fazer. Esta é apenas mais uma das coisas que não quero fazer, mas tenho de fazer… Temos de fazer muitas coisas, todas ruins… Tudo que aprendi no colégio, foi pelo ralo! Cidadania! Nossa, que piada! Não conheço um só cidadão! Só conheço vassalos, escravos, como eu… Tenho apostado na loto. A QUE PONTO CHEGUEI!!!! Nunca pensei que fosse entrar toda semana na lotérica! Mas o pior nem é isso, o pior é me pegar ansioso toda vez que sai o resultado. Vou correndo para a Internet, à noite, após um dia na senzala, para pegar o resultado. Perco sempre, é claro, pela estatística é quase impossível ganhar, mas a droga da esperança fica ali, enchendo o saco, perturbando… Seria melhor que esta palavra “esperança” fosse banida de nossas vidas… Ela só serve para gerar ansiedade. Nada vai mudar, nada vai melhorar, o mundo está bem pior, sem empregos decentes, sem gente decente, sem decência… 21:47h… Sinto-me cansado, sem idéias, sem chão, sem sono, sem esperança, fraco, irado, nervoso, perturbado, triste, perverso… Até que ponto isso é egoismo? E até que ponto isso importa, de fato? Hoje é domingo, ainda é domingo. Logo, logo a aurora anunciará mais uma semana. Jogarei na loto, sim jogarei… esperarei meus jogos e entrarei de cabeça, mais uma vez, dentre tantas, no vazio do existir sem prazer, sem gozar, sem voar… Esquecemo-nos de que há prazeres e esquecemo-nos de buscá-los… esquecemo-nos de muitas, muitas coisas… a cada dia que passas ficamos mais sós e amedrontados, sem sequer nos darmos conta disso… 21:53h… Vazio, vazio, vazio… Qual o sabor da morte? Qual o sabor de deixar de existir? Será que deixar de pensar todo esse lixo é tão ruim assim? É melhor parar por aqui… antes que certos assuntos (e uma palavra: fugir) voltem à baila. 22:00h…

Coisas que George Carlin falou e eu queria ter falado:

“Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.

Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.

Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.

Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.

Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.

Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas “mágicas”.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar ‘delete’.”

Comprei um Xbox 360… Tudo bem, tudo bem… Vocês vão dizer que sou hipócrita e tal, que o aparelho é fabricado pela Microsoft e toda aquela história. Mas, bom… ou cara está na onda ou não está. Ou ele está no mundo (consciente, é claro), com tudo que ele tem de bom e de ruim, ou não está. Ora bolas! Eu trabalho numa empresa cem por cento nacional e cem por cento escrota. Por que não comprar um aparelho que é feito por outra empresa escrota? E se eu deixar de comprar, vai adiantar que porra? A única saída pro cara cem por cento revoltado é virar cem por cento hippie. Como minha revolta está ainda em 99,999999999999999999999999% não será dessa vez que me mudarei pra Arembepe. Vou vivendo nesse mundão, comprando coisas e vendendo outras (minha alma, por exemplo)… Mas não é sobre isso que quero falar. O que quero falar é que sempre gostei de vídeo-games. Sou da geração Atari. Joguei muito Pac Man, River Raid, Missile Command, Enduro e o escambau. Naquela época, 82 – 83, eu era um pirralho alucinado (não muito diferente de hoje) e vibrava com aquela porra. Hoje, a evolução é gritante. Os jogos são quase como filmes interativos e o Xbox 360 é um nicho de alegria para velhos como eu. Depois de mais um dia na face da terra, depois de um dia de luta (sem sentido) é bom esquecer da vida. Eu estava indo para o álcool… Mas minha relação com o álcool é suicida e pra mim, ou o cara dá um pipoco logo na cabeça ou fica quieto. O vídeo-game entrou como uma excelente opção terapêutica. Mas isso é pra mim. Tem gente que prefere bonsai, outros preferem jogar bola e por aí vai. Mas agora é sério, também não é isso, na verdade, que quero dizer – há sempre muitas coisas que não quero dizer, e acabo dizendo. Um dia desses, eu tava pensando na lógica dos vídeo-games (era nesse ponto que queria chegar, de verdade). Sabe o LOAD? Porra, já pensou se a vida fosse assim? O cara vai fazendo merda, fazendo merda, fazendo merda, daí chega uma hora que ele diz assim: “vou dar LOAD nessa porra”. E recomeça tudo, fazendo tudo melhor e com mais estratégia. É interessante também o lance de você avançar no jogo. O grau de dificuldade vai aumentando e no final de cada fase tem um “chefão”. Só que você pegou armas, poderes e experiência pra derrubar os chefões… É muito difícil (mesmo para os experts) detonar logo de cara o chefão. Você não sabe direito qual a dele, quais são suas forças e poderes… O que fazer então? LOAD! Depois de alguns LOADS já é possível saber como é o inimigo e aplicar-lhe os golpes certos na hora certa. Esses chefões, se fizermos uma comparação com a vida, seriam as crises em nosso trabalho, em nosso casamento. Seriam as doenças que nos afligem (L.E.R., por exemplo), as tristezas e outras coisas mais. Nos games, se você não mata o chefão, o jogo não avança. Na vida, não é bem assim, mas quem tiver um sarcoma, por exemplo, está fadado a ir logo para a última fase para enfrentar o grande chefão final do jogo da vida: a morte. E aí não há LOAD que dê jeito. É por isso que acredito em reencarnação. Não custa nada acreditar num troço assim, por mais mirabolante que seja. Imagine você ter uma segunda chance de recomeçar o jogo. Mas não o mesmo jogo e sim um quase parecido, só que agora você está mais preparado… Sinceramente, hoje em dia acho que tudo é possível. De uns tempos pra cá venho perdendo a fé no acaso. Estou tendendo a acreditar que há uma mecânica extremamente sofisticada nas coisas e tudo, absolutamente tudo tem uma razão, ainda que ela esteja muito longe. Acredito também no caráter fractal da Natureza e que os fractais estão em tudo, até nos vídeo-games. Muita gente diz que a vida é um jogo, e a cada dia que passa os jogos para vídeo-game se parecem mais e mais com a vida propriamente dita. Chegará o dia em que nossa mente será “upada” – de upload (é americanismo mesmo) – para supercomputadores com super jogos instalados e faremos parte do jogo, literalmente. Viveremos dentro do mundo virtual. Só não sei se a pessoa vai querer voltar para a vida real. O jogo da vida é o mais difícil e cruel de todos. Perto dele, Doom, Quake, Resident Evil e Gears of War são refrescos de uva num dia ensolarado.

Eu falo um monte de coisa sobre o imperialismo, capitalismo e tal… mas até nos E.U.A também têm coisa boa. Dêem um saque nesse cara.

Não sou muito disso. Não gosto de ficar pinçando as coisas dos outros. Considero a “papagaiação” uma grande merda que traz estagnação mental. Mas não resisti… lendo As Vinhas da Ira de Steinbeck parei num trecho fulminante. Sabe quando o cara para e volta, e volta não sei quantas vezes e lê sem acreditar e emocionado… tá certo, eu sei, soa forçado, soa panfletário… mas isso tem uma explicação: a mídia quer que seja assim. Toda vez que alguém pensa na coletividade vem uma VEJA, vem uma Globo, vem um filho da puta qualquer e diz que liberdade é você (depois de um dia de escravidão) poder ir ao shopping e poder comprar com o “seu dinheiro”, ganho com o “seu suor” (como se o seu dinheiro e o seu suor fossem seus, e não dos grandes capitalistas) aquele tênis com luzinhas, ou aquele vibrador de duas cabeças. Eles querem que a gente tenha vergonha de ter tempo para nós mesmos, que a gente tenha vergonha de não querer se acabar feito uma mula atrás de pilhas e pilhas de serviços opressivos que só levam às doenças e nada mais. A melhor forma de se entrar para o mercado de trabalho é com os cursos técnicos, a indústria quer isso. Chega de pensar. Viva o créu! Viva a bunda da mulher melancia! O povo só precisa (e deve) suar e foder, e só. Que sue o povo, que foda (e se foda) o povo. Precisa-se de mãos e braços para a indústria e o exército e nada mais. Que a classe média se engalfinhe lá embaixo com os pobres emergentes! Nós, os ricos, temos as armas de dominação e só somos irmãos entre nós. Bom… chega… O trecho que separei é uma gota no oceano dessa nossa vida fodida, esculhambada e tristonha e uma nuvem branca no céu da obra desse grande autor norte-americano… não é nem tão pungente, mas é simples e belo, como devem ser as coisas nossas, como deve ser a própria vida. Eu queria saber falar assim: pouco e com precisão.

“Os grandes proprietários, que têm que perder suas terras na primeira rebelião, os grandes proprietários que têm acesso à história, têm olhos para ler a história, deviam saber do grande fato: a propriedade, quando acumulada em muito poucas mãos, está destinada a ser espoliada. E do fato complementar também: quando uma maioria passa fome e frio, tomará à força aquilo de que necessita. E também o fato gritante, que ecoa por toda a história: a repressão só conduz ao fortalecimento e à união dos oprimidos. Os grandes proprietários ignoram os três grandes gritos da história. A terra acumulou-se em poucas mãos, o número de espoliados cresceu, e todos os esforços dos grandes proprietários orientavam-se no no sentido da repressão. O dinheiro era gasto em armas e gases para proteção das grandes propriedades; espiões eram enviados com a missão de descobrir insurreições latentes, que precisavam ser abafadas antes que nascessem. A transformação econômica era ignorada, planos para a transformação não eram tomados em consideração; apenas os meios de destruir as revoltas eram levados em conta, enquanto as causas das revoltas permaneciam.”

Virou febre agora, essa porra desse LHC – Large Hadron Collider ou Grande Colisor Hádrons… O povo tá falando um monte de coisa sobre esse troço, mas pra mim, só dois pontos vêm à cabeça: 1º) Qual o verdadeiro uso dessa bosta? 2º) Quanto custa essa bosta? Por quê penso assim? Simples. A gente sabe que a indústria mais próspera, hoje em dia, é a de armas, se não, está entre as três ou quatro mais. Quem é que tem bala na agulha pra financiar um projeto desse? Fico pensando em Einstein e sua bomba atômica, sabe. Tenho medo. Não tenho medo do LHC, tenho medo das pessoas. O LHC é bom, como é bom o computador, a Internet, a TV digital, a fibra ótica, a ressonância magnética, a engenharia mecatrônica, os celulares, etc… Mas tenho medo das pessoas, do uso que os poderosos costumam fazer da tecnologia. Há muitos anos atrás o tecnologia era um oásis de esperança no coração dos homens. Muito se falava, muito se especulava. Dizia-se que ter-se-ia mais tempo para dedicar ao ócio produtivo, que os homens haveriam de trabalhar menos, ganhar mais e ter mais tempo para si e sua alma… Mas nada mudou. O tempo que sobrou com a tecnologia serve para que se trabalhe mais, para que se execute o trabalho de três, quatro, cinco, seis pessoas… Muito do que se consome hoje, em termos de evolução científica, seja na área de entretenimento, seja na área médica, seja na área automobilística, dentre outras, é fruto de conquistas conseguidas, primeiramente, no âmbito militar. O mundo deu uma estagnada geral. Não há mais grandes novidades, hoje. Dizem que já se pode teletransportar elétrons, e há pesquisas sérias na área da viagem no tempo. O LHC seria uma ferramenta estupenda para essas pesquisas, juntamente com os novos computadores quânticos que estão sendo elaborados. Sou um verdadeiro jumento nesses assuntos, mas acho que teletransporte mesmo, como a gente vê em Star Trek, só daqui a mais trezentos anos (e olhe lá) e viagem no tempo piorou… Posso estar enganado, é claro. Mas isso seria bacana. Viagem no tempo, teletransporte, medicina, isso é legal. Entretanto, e para agora? O que os novos avanços nos reservam de imediato? É aí que a porca torce o rabo. Um dia a lei da relatividade entrou em cena, no outro já existia uma bomba atômica. Quem podia imaginar num troço como a bomba atômica? E as armas não precisam ser mais desse tipo não, que destroem tudo e tal. Elas podem ser mais sutis, como ondas de determinadas partículas que entram nas mentes das pessoas, reprogramando seus cérebros para a Nova Escravidão. Eu sei que isso soa como a ficção mais barata que existe, mas quem tem colhão pra dizer que isso não pode acontecer (se é que já não acontece). As armas são instrumentos de dominação, e a mídia, por exemplo, é uma arma – vide Hollywood. O que é que o ser humano quer? As guerras existem desde que o homem é homem… Ora, o que o ser humano quer é dominar o mais fraco, e sugar dele. Quem não tem conhecimento que segure bem seguras as suas calças. De outra forma o fumo entra. E entra mesmo, junto com LHC e tudo.