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Não sou muito disso. Não gosto de ficar pinçando as coisas dos outros. Considero a “papagaiação” uma grande merda que traz estagnação mental. Mas não resisti… lendo As Vinhas da Ira de Steinbeck parei num trecho fulminante. Sabe quando o cara para e volta, e volta não sei quantas vezes e lê sem acreditar e emocionado… tá certo, eu sei, soa forçado, soa panfletário… mas isso tem uma explicação: a mídia quer que seja assim. Toda vez que alguém pensa na coletividade vem uma VEJA, vem uma Globo, vem um filho da puta qualquer e diz que liberdade é você (depois de um dia de escravidão) poder ir ao shopping e poder comprar com o “seu dinheiro”, ganho com o “seu suor” (como se o seu dinheiro e o seu suor fossem seus, e não dos grandes capitalistas) aquele tênis com luzinhas, ou aquele vibrador de duas cabeças. Eles querem que a gente tenha vergonha de ter tempo para nós mesmos, que a gente tenha vergonha de não querer se acabar feito uma mula atrás de pilhas e pilhas de serviços opressivos que só levam às doenças e nada mais. A melhor forma de se entrar para o mercado de trabalho é com os cursos técnicos, a indústria quer isso. Chega de pensar. Viva o créu! Viva a bunda da mulher melancia! O povo só precisa (e deve) suar e foder, e só. Que sue o povo, que foda (e se foda) o povo. Precisa-se de mãos e braços para a indústria e o exército e nada mais. Que a classe média se engalfinhe lá embaixo com os pobres emergentes! Nós, os ricos, temos as armas de dominação e só somos irmãos entre nós. Bom… chega… O trecho que separei é uma gota no oceano dessa nossa vida fodida, esculhambada e tristonha e uma nuvem branca no céu da obra desse grande autor norte-americano… não é nem tão pungente, mas é simples e belo, como devem ser as coisas nossas, como deve ser a própria vida. Eu queria saber falar assim: pouco e com precisão.

“Os grandes proprietários, que têm que perder suas terras na primeira rebelião, os grandes proprietários que têm acesso à história, têm olhos para ler a história, deviam saber do grande fato: a propriedade, quando acumulada em muito poucas mãos, está destinada a ser espoliada. E do fato complementar também: quando uma maioria passa fome e frio, tomará à força aquilo de que necessita. E também o fato gritante, que ecoa por toda a história: a repressão só conduz ao fortalecimento e à união dos oprimidos. Os grandes proprietários ignoram os três grandes gritos da história. A terra acumulou-se em poucas mãos, o número de espoliados cresceu, e todos os esforços dos grandes proprietários orientavam-se no no sentido da repressão. O dinheiro era gasto em armas e gases para proteção das grandes propriedades; espiões eram enviados com a missão de descobrir insurreições latentes, que precisavam ser abafadas antes que nascessem. A transformação econômica era ignorada, planos para a transformação não eram tomados em consideração; apenas os meios de destruir as revoltas eram levados em conta, enquanto as causas das revoltas permaneciam.”

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