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Comprei um Xbox 360… Tudo bem, tudo bem… Vocês vão dizer que sou hipócrita e tal, que o aparelho é fabricado pela Microsoft e toda aquela história. Mas, bom… ou cara está na onda ou não está. Ou ele está no mundo (consciente, é claro), com tudo que ele tem de bom e de ruim, ou não está. Ora bolas! Eu trabalho numa empresa cem por cento nacional e cem por cento escrota. Por que não comprar um aparelho que é feito por outra empresa escrota? E se eu deixar de comprar, vai adiantar que porra? A única saída pro cara cem por cento revoltado é virar cem por cento hippie. Como minha revolta está ainda em 99,999999999999999999999999% não será dessa vez que me mudarei pra Arembepe. Vou vivendo nesse mundão, comprando coisas e vendendo outras (minha alma, por exemplo)… Mas não é sobre isso que quero falar. O que quero falar é que sempre gostei de vídeo-games. Sou da geração Atari. Joguei muito Pac Man, River Raid, Missile Command, Enduro e o escambau. Naquela época, 82 – 83, eu era um pirralho alucinado (não muito diferente de hoje) e vibrava com aquela porra. Hoje, a evolução é gritante. Os jogos são quase como filmes interativos e o Xbox 360 é um nicho de alegria para velhos como eu. Depois de mais um dia na face da terra, depois de um dia de luta (sem sentido) é bom esquecer da vida. Eu estava indo para o álcool… Mas minha relação com o álcool é suicida e pra mim, ou o cara dá um pipoco logo na cabeça ou fica quieto. O vídeo-game entrou como uma excelente opção terapêutica. Mas isso é pra mim. Tem gente que prefere bonsai, outros preferem jogar bola e por aí vai. Mas agora é sério, também não é isso, na verdade, que quero dizer – há sempre muitas coisas que não quero dizer, e acabo dizendo. Um dia desses, eu tava pensando na lógica dos vídeo-games (era nesse ponto que queria chegar, de verdade). Sabe o LOAD? Porra, já pensou se a vida fosse assim? O cara vai fazendo merda, fazendo merda, fazendo merda, daí chega uma hora que ele diz assim: “vou dar LOAD nessa porra”. E recomeça tudo, fazendo tudo melhor e com mais estratégia. É interessante também o lance de você avançar no jogo. O grau de dificuldade vai aumentando e no final de cada fase tem um “chefão”. Só que você pegou armas, poderes e experiência pra derrubar os chefões… É muito difícil (mesmo para os experts) detonar logo de cara o chefão. Você não sabe direito qual a dele, quais são suas forças e poderes… O que fazer então? LOAD! Depois de alguns LOADS já é possível saber como é o inimigo e aplicar-lhe os golpes certos na hora certa. Esses chefões, se fizermos uma comparação com a vida, seriam as crises em nosso trabalho, em nosso casamento. Seriam as doenças que nos afligem (L.E.R., por exemplo), as tristezas e outras coisas mais. Nos games, se você não mata o chefão, o jogo não avança. Na vida, não é bem assim, mas quem tiver um sarcoma, por exemplo, está fadado a ir logo para a última fase para enfrentar o grande chefão final do jogo da vida: a morte. E aí não há LOAD que dê jeito. É por isso que acredito em reencarnação. Não custa nada acreditar num troço assim, por mais mirabolante que seja. Imagine você ter uma segunda chance de recomeçar o jogo. Mas não o mesmo jogo e sim um quase parecido, só que agora você está mais preparado… Sinceramente, hoje em dia acho que tudo é possível. De uns tempos pra cá venho perdendo a fé no acaso. Estou tendendo a acreditar que há uma mecânica extremamente sofisticada nas coisas e tudo, absolutamente tudo tem uma razão, ainda que ela esteja muito longe. Acredito também no caráter fractal da Natureza e que os fractais estão em tudo, até nos vídeo-games. Muita gente diz que a vida é um jogo, e a cada dia que passa os jogos para vídeo-game se parecem mais e mais com a vida propriamente dita. Chegará o dia em que nossa mente será “upada” – de upload (é americanismo mesmo) – para supercomputadores com super jogos instalados e faremos parte do jogo, literalmente. Viveremos dentro do mundo virtual. Só não sei se a pessoa vai querer voltar para a vida real. O jogo da vida é o mais difícil e cruel de todos. Perto dele, Doom, Quake, Resident Evil e Gears of War são refrescos de uva num dia ensolarado.

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