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Monthly Archives: outubro 2008

Às vezes me pergunto onde o Dream Theater encontra criatividade pra fazer músicas… Daí, me deparo com esse clip… Só assistindo… É F***

Michael Clayton é um filme simples, como Syriana é, só que o cara tem que prestar atenção e ter interesse pelo tema: a sacanagem corporativa que nos engloba dia após dia. Vi um monte de gente falar mal de Michael Clayton, assim como de Syriana e outros filmes de Clooney nessa linha como Boa Noite e Boa Sorte e Confissões de Uma Mente Perigosa. O sacana do George Clooney é engajado, é um americano, mas é gente fina. Michael Clayton… bom, só assistindo o filme. Clooney é o advogado de uma empresa super escrota que fabrica um herbicida assassino. As famílias de um monte de gente que morreu por conta desse herbicida, é claro, picam a empresa na justiça… Um dos advogados empenhados em salvar o nome da empresa endoida e ameaça lançar ao conhecimento do grande público um dossiê que acaba com meio mundo… Clayton, coligado do advogado maluco, viciado em jogo, separado, todo problemático, se vê diante de questões morais a cada cinco, seis minutos e é aí que a porca torce o rabo. Quem não consegue enxergar essas questões morais – e viajar nelas -, vai achar o filme enjoado… Na verdade, imagino que haja até bastante gente que enxergue, mas que sempre diz assim, no fim das contas: “na ficção tudo é lindo, mas na vida real…” Bom, nos habituamos a esse chavão; a cada dia que passa, fica mais difícil não entender a ética e a moral como falta de tino, de esperteza, etc… Entretanto, em minha modesta opinião, e fiquem tranqüilos, não vou entregar o jogo, o final do filme é que é apoteótico, sublime, maravilhoso. Alimenta nossa combalida esperança… pelo menos os caras que fizeram o filme têm essa consciência, e isso já é alguma coisa, sem falar que as cópias são distribuídas pela Columbia Pictures, que é uma mega-corporação. Isto prova que o sistema é quase uma ilusão, ou melhor, um pesadelo, criado por nós mesmos, afinal, a Columbia Pictures não se importa de “financiar” quem fala mal da cama onde ela assenta, desde que isso dê lucro… É uma loucura… É pra se pensar… pensa, meu povo, pensa…

Chegará o dia em que pararemos de nos surpreender conosco, digo, com nossa “humanidade”? Digo isso porque essa “surpresa”, na verdade, é mais uma ansiedade, e muito dolorosa, por sinal. Falei aqui do LHC, certo? Teoricamente era pra ser algo bom, mas a gente sabe que no final das contas, toda aquela tecnologia vai servir mais ao mal do que ao bem. O LHC é surpreendente, apesar disso. Não vou aqui desmerecer o pessoal que tá ralando lá. Mas o que dizer de algo que a gente sabe que não presta, ou melhor, que a gente sabe que vai gerar quilos e mais quilos de bosta e só? Sabe quando o cara dá um tiro no pé? E a vida é assim, você dá o tiro no pé e não tem como voltar atrás. Aqui no Armazém, eu sou o que no jargão internetiano se chama de fake. O fake, vocês sabem, é aquele que não quer aparecer, que não quer revelar sua identidade secreta e pra mim, às vezes, fica difícil expressar certas coisas mantendo a condição “fakeana”. Tem coisa que só daria pra falar com exatidão se eu dissesse quem sou, mas acho que isso, a longo e médio prazo pode ser ruim. O Armazém é mais um diário aberto, é mais um papel ao vento, que necessariamente uma carta para o futuro – pode até vir a ser, mas não é o caso, agora. Bom… voltando… a humanidade é surpreendente. Recentemente participei de um “movimento”, entre aspas mesmo, pois um movimento é um coisa e um “movimento” é outra, é mais pejorativo e é pra ser mesmo. Então, como ia dizendo, participei deste “movimento” e dei um tiro no pé. A sorte é que foi um tiro no pé coletivo, e na desgraça, a ilusão de que você não está só (pois todo ser humano, no final das contas é solitário) é muito boa. Participei do “movimento” cheio de esperanças e daí veio uma reflexão esta tarde, enquanto lia A Peste de Camus (que me inspirou), e que me deu esse comichão pra escrever esse texto: Como um cara como eu, com trinta e dois anos de idade ainda alimenta esperanças? Como um cara como eu, com trinta e dois anos de idade, ainda se surpreende com as merdas e as “não merdas” que acontecem por aí? Sei que isso não acontece só comigo, acontece com uma porrada de gente, mas quando se tem um pouco de consciência a respeito do que é a vida… a gente deveria ser mais defensivo. Mas daí, refletindo, meditando (coisa de cinco, seis minutos), percebi que há níveis nessa história toda. Por exemplo: As coisas que, na infância, me causavam surpresa e esperança hoje já não causam mais nada de significativo. Quando vi um boeing decolando pela primeira vez, ao vivo, bem de pertinho, foi uma loucura, quase me mijei de excitação e delírio, mas hoje um boeing não passa de um troço grande e perigoso pro caralho (o que não deixa de ser algo decepcionante, em vista da primeira impressão, tão espetacular). É só isso que sinto. O que aconteceria se eu visse um disco voador, um super disco voador, cheio de luzes e tal e depois descobrisse que tudo não passasse de farsa, de uma encenação? Primeiro viria a surpresa, depois a decepção (como no caso do avião)… Tudo bem até que eu ficasse surpreso, mas por que me decepcionar se eu sei que o ser humano é corrupto por natureza? Seria então, esta decepção uma contradição que eu poderia estender a toda humanidade ou isso é algo só meu e de mais meia dúzia? Deve ter gente bem fria, que diz assim: “Ah, eu sabia o tempo todo que essa porra não era um UFO…” e sai e esquece isso na hora em que vira a cara. Eu ficaria querendo matar o filho da puta que mexeu com meus sentimentos ufológicos. É assim que estou me sentindo hoje. Meu UFO não era um UFO de verdade… kkkkkkkkkkkkkk… Quem manda um cara de trinta e dois anos acreditar em Ufos? Quanto mais mirabolante é o troço no qual que você acredita, tão pior é a decepção quando ela vem, e vem mesmo, é só questão de tempo… Existem coisas em que você quer acreditar, mas não dá, cara, não dá… não acredite, não acredite, senão você vai de foder bem bonitinho. Por exemplo: Os sindicatos? Kkkkkkkkkkk… Os sindicatos não funcionam nem nos livros de Steinbeck, vão funcionar na vida real? Ainda mais aqui no Brasil. Eu sou trabalhador e fico impressionado quando terminam as rodadas de negociação… Só tem pelego pra tudo quanto é lado. Dá pra ver que fulaninho recebeu um por fora, não tem jeito… Lembrei até de uns versinhos bem antigos, que li no livro 1808 de Laurentino Gomes: “Quem furta pouco é ladrão, Quem furta muito é barão, Quem mais furta e esconde, Passa de barão a visconde.” Cara, isso é do Brasil Império… E até hoje cai como uma luva e ninguém, absolutamente ninguém, tenta mudar isso! Tá vendo? Tá vendo a loucura? Tá vendo a loucura do cara indignado? O mais certo seria eu dizer: é, é isso mesmo, vai ser sempre assim…

Acho que mulher tem que ser assim… Bonita, competente, inteligente, decente… como Sheryl Crow. Ela é um encanto, é uma verdadeira Deusa… Bate uma viola muito legal e tem músicas lindas… Ela faz um show enxuto, melódico, simples e belo, como ela. Parabéns a Sheryl Crow, pelo seu talento, musicalidade e beleza. Ela merece tudo que tem e que conquistou.

30.000 visitas… Lembro-me, como se fora hoje, do primeiro post. Foi em 2007, um primeiro de maio, uma segunda-feira ensolarada… Há quase um ano e seis meses atrás escrevi isto: Muito embora o nome deste blog seja pomposo pra caramba e até mesmo afetado, na verdade é isso mesmo. É pra ser afetado mesmo, e pomposo. Mas é bacana, é bonitinho. Tem um lance de infância massa, lembra um pouco as coisas que o Balão Mágico fazia… Eu gostava do BM, mas odiava o Fofão. O Fofão passou a ter uma influência muito grande na turma, o que me pareceu odioso. Quem me encantava era a Simoni. Na verdade, foi meu primeiro amor platônico… Mas, enfim. Acho que voltarei a falar de Balão Mágico em outras oportunidades. No momento só queria deixar um post registrado. O primeiro.

Sabe, sinto uma coisa muito boa quando releio isso… Sinto que mudei pouco. Tudo bem, um ano e meio não é muito tempo, mas posso dizer que tenho certa personalidade. Mas não é legal ficar falando de mim. É legal falar do blog, do Armazém de Luzes e de suas “30.000” visitas. Quando ele fez um ano, pensei em fazer algo assim, mas preferi esperar. 99% dessas “visitas” é de gente que pesquisa no Google alguma coisa como “Shakira”, ou “Call of Duty 4”, ou “Tawnee Stone”, etc, e cai aqui de para-quedas. O sujeito(a) passa o rabo do olho, vê que não é aquilo que esperava e continua a pesquisa… Mas o registro fica lá. Poucos param pra ler, de verdade. É só alguém abrir a página do Armazém (minhas próprias incursões não contam) que o contador roda. Ao todo – até então – são 76 artigos (com este) separados em 9 categorias (recentemente incluí a de contos) com 342 comentários, a maioria dos quais do amigo Bairro Centro e da amiga Madame Capitu – que nunca mais deu as caras. As postagens sobre Shakira (duas apenas) são campeãs de visitação e recentemente o post sobre Emily Browning de 09 de junho de 2007 rendeu, num só dia, mais de quinhentas visitas (por conta do filme desventuras em série, que passou na tela-quente). O post sobre Tawnee também tá bombando… Mulher sempre dá pano pra manga, principalmente fazendo putaria. Os blogs e sites sobre pornografia são campeões absolutos de visitação e participação. Tem um do WordPress mesmo, bem mais novo que o Armazém, que já contabiliza mais de 1.000.0000 de visitas e em todas as postagens há comentários… No fim das contas, no fim de tudo, lá estamos nós, em busca de prazer, de alívio para as dores da vida, para o fel do existir… E quem sou eu pra dizer que sou exceção? Mas bom, tudo tem limite… Daí, entra o Armazém. Aqui, o cidadão ou cidadã não encontrará o doce, a cocada, o guaraná, a cervejinha gelada, a brisa fresca da manhã… Não, aqui não há espaço para essas coisas, exceto nas entrelinhas, subliminarmente, pra quem quiser e puder enxergar, logicamente… Foram 30.000 passagens, de gente que nunca verei e de gente que posso até ter visto… 342 comentários são poucos, se levarmos em conta que a maioria são meus mesmo, de Bairro Centro e de Madame Capitu… Agradeço aos “desconhecidos” que tiveram a boa vontade de escrever algo mas principalmente a esses dois últimos conhecidíssimos amigos que vez ou outra deixam sua muito bem-vinda marca.

Ver os escritos mais antigos é voltar no tempo, é fazer história… uma história particular, que não é de José, de Pedro ou de João, mas é de um ser humano (como esses três) preocupado com o rumo triste que as coisas estão tomando… E quem sabe meus medos e angústias também não são os de outras pessoas que talvez não tenham tanta intimidade com as palavras, ou ainda que tenham não saibam dizer o que sentem de verdade? Quem sabe, o Armazém possui um leitor ou leitora super assíduo, mas é envergonhado demais pra se expressar? Quem sabe o Armazém não fique famoso um dia, ou acabe amanhã mesmo? Quem sabe o dia de amanhã não aconteça? Eu não sei… Você sabe? Mas estou fazendo história, pelo menos. Lembra do beija-flor da fábula do incêndio na floresta? É por aí. Teço uma historiazinha de nada, escrevendo para o mundo, para esse mundo cheio de gente (gente boa e gente ruim) para as pessoas que sentem a dor de viver e não se escondem, que gritam como eu, que choram como eu, que se cortam com eu… Obrigado Bairro Centro, obrigado Madame Capitu, obrigado Patrícia Fofolete (se é que foi ela mesma), obrigado aos desconhecidos e obrigado até mesmo àqueles que só passaram de relance. O Armazém continua e continuará, assim espero… Daqui a mais vinte mil visitas escrevo outro troço assim… kkkkkkkkkkkk… se vivo estiver.

Klaus, caminhando por entre as ruínas do antigo Colégio do Sagrado Coração, mantinha os ouvidos atentos. Segurava seu rifle com os dedos duros, travados. Apoiava o polegar por cima do protetor do gatilho. Olhava para os lados, para baixo, para cima… Atravessou o que restou do colégio e saiu na rua logo atrás. Lembrou da casa onde Marina morava. Eles foram colegas de sala no Colégio do Sagrado Coração. A casa de Marina era uma amontoado de pedras e pó, agora. “Ela era branca, tinha cabelos pretos, lábios grandes e finos, pernas grossas. Gostava de usar calças apertadas… Deve ter dado muito, naquela época.” Klaus desviou para esquerda, seguindo ao comprido da rua, indo na direção de um armazém, também em ruínas. Tentou parar de pensar em Marina. Possivelmente estaria apodrecendo sobre o que restou da casa, junto com a família, assim como talvez noventa por cento da população do planeta. Vez ou outra, ouvia-se um estrondo e uma nuvem negra podia ser vista ao longe. “O que é isso?” Klaus quase tinha vontade de que uma dessas explosões acontecessem perto dele, para matá-lo logo de uma vez… As lembranças da noite passada ainda estavam em sua mente, muito, mas muito vivas… “Seu Hilton, nossa, seu Hilton…” O homem, de quarenta e três anos, funcionário público, conhecido da família, gemia sob um pedaço de marquise. Klaus se aproximou. Até então, caminhando pela Cidade por dois dias, fora a única pessoa viva que encontrara, e seu estado era lamentável. O pedaço de lage caíra de ponta sobre sua bacia. Por pouco seu tórax não fora seccionado dos membros inferiores. Estava naquela situação há várias horas, não sabia dizer ao certo. Delirava, mas reconheceu Klaus, ainda que a uma distância relativamente grande, para alguém em suas condições. Estendeu um braço, que deixou quedar no mesmo instante. Klaus notou, a cerca de vinte ou trinta metros da cena, e foi correndo até ele, segurando seu rifle, ou melhor, o rifle do seu pai morto.

-Seu Hilton?

A voz do homem saía arrastada, cadavérica. Ele viu o rifle na mão de Klaus e disse:

-Mate-me garoto, por favor… Os sonhos… A dor… Eu vi as luzes… Eu preciso morrer, não agüento mais… Encontre Sandra, fale com ela – nesse instante lágrimas caíram-lhe pelos olhos – diga que a amo.

-Mas…

-Oh, droga! – gritou Hilton. Foi um grito longo, profundo, carregado de dor e angústia. -As coisas que fiz… meu corpo, minhas pernas… – naquele momento, o homem chorava como uma criança. -Cadê Deus?! Deus, me ajude, seu filho da puta! Por favor, por favor, eu não quero morrer… Sandra!! Sandrinha!! Não, não, não… Filho! – disse segurando o braço de Klaus com o resto de força que tinha – filho! Atire em minha cabeça, por favor…

-Mas seu Hilton…

-Eu já estou partido em dois, seu merda… O diabo me manteve vivo não sei pra que porra! Me partiram em dois. Minhas pernas estão separadas do meu corpo. Meu cu está separado do meu corpo. Como eu vou viver sem cu, seu porra? Hem? Você viveria sem cu? E minha rola? Meus colhões já eram! Não tenho mais colhões, nem cu, nem pernas… me mate logo, vá.

Seu Hilton, chorando, gemendo, tremendo, pegou o cano do rifle e encostou no ouvido esquerdo.

-Puxe o gatilho!

Klaus suspirou profundamente. Nunca tinha matado um rato. Olhou para os lados. Viu o que vinha vendo há três dias: ruínas, destruição, silêncio, medo, horror, tristeza, desolação. Avaliou mais um pouco a situação do seu conhecido. A quina da marquise imprensava-lhe o quadril contra o chão e tal configuração do corpo do coitado era estranhíssima, bizarra. Sua cintura se achatara e tinha menos que cinco centímetros de largura. Seus olhos esbugalharam-se um pouco e seu rosto inchara e arroxeara muito. Uma forte onda de melancolia percorreu o corpo do Klaus. Soluçou. Teria que matar um homem. Não queria, mas teria de fazer o serviço. Há quantas horas andava sem ver uma só pessoa? Quanto tempo levaria para reencontrar alguém, depois do que aconteceu? Mas puxou o gatilho e a cabeça de Hilton deixou de existir, assim como sua dor e seus lamentos, possivelmente. Pedaços de ossos e carne fincaram-se na parede da loja de onde despencou a marquise. Klaus quase vomitou ao ver um grande pedaço de cérebro a uns dois metros. A mão de Hilton largou a boca da arma e o jovem saiu, sem rumo…

“Teria sido pior se tivesse que fazer isso com Marina”. O armazém estava logo à sua frente, ou melhor, o que restou dele. Um forte estrondo fez-se ouvir ao norte. Possivelmente a quarenta, cinqüenta quilômetros… Não tardou, uma coluna negra foi subindo no horizonte daquele lado. Klaus tinha invadido uma loja de armamentos e pegara para si mais de trezentos cartuchos. Levava-os numa mochila à parte. Tinha outra cheia de comida, que pegara num supermercado em ruínas. Entrou no perímetro do armazém e recostou-se à uma parede. Sua mente viajou por alguns instantes e não tardou pegar no sono, para nunca mais acordar.

Yo-yo Ma não tem a bunda de Caroline Miranda nem da indiana gostosa logo abaixo, mas bate o mó bolão com o violoncelo… Ele toca o prelúdio para suíte de violoncelo nº 1 de Bach…

Na minha humilde opinião, sensual é isso: Quem sabe, a cantora não é uma virgem como Caroline Miranda!!!

Hoje aqui, sentado ao computador, seguro a onda pra não chorar de tristeza. É chato ficar deixando as lágrimas correrem pelo rosto. Não gosto. Aprendi que segurar é melhor. Um homem em lágrimas é uma das coisas mais tristes que existem, ainda mais se este homem é você e as lágrimas são verdadeiras. Como vocês sabem (os assíduos leitores) leio As Vinhas da Ira de Steinbeck e Cerimônias Satânicas de TED Klein. São dois livros ótimos. Excelentes exercícios para as trabalhadoras mentes literárias (ociosidade produtiva é a puta que pariu!)… Mas eu não poderia deixar de traçar uma impressão acerca dessas duas obras: Apesar de Cerimônias Satânicas ser um livro de terror, e Vinhas da Ira uma pesada crítica social, sinto-me muito mais aterrorizado lendo este último. Nossa! A maldade do ser humano tem um poder avassalador! E a solidão? A verdadeira solidão? O desamparo? O abandono? A fome? A humilhação? Droga… Quando olho pra trás e penso que poderia ter estudado mais, lido mais, pensado mais… Não adianta apenas ser bom, não adianta ter personalidade… Personalidade é só pra quem pode. O povo tem que ser igual ao povo, tem que ser tudo parecido… Paris Hilton pode chupar o pau do namorado e botar na net, mas vá Chiquinha de seu Zé fazer isso! Nossa! E o medo que isso dá? Na China, acredita-se que são executadas de oito a dez mil pessoas por ano, por questões políticas. Lá existe um sistema que censura a internet. Eles empregam sessenta mil técnicos que ficam dia e noite monitorando e-mails, páginas e tudo mais… O pessoal que ajudou a construir o estádio ninho do pássaro era proibido de passar perto de lá… Ufa!!!! Tem um monte de coisa na internet, falando da China, a economia mais emergente do mundo! Que sacrifício danado para se sair da pobreza, hem? Já pensou se a moda pega aqui? ACM ia ressuscitar, pra não perder a festa. Ia querer sair do Inferno, pra voltar… O Diabo ia sentir um alívio danado… Mas aos poucos as coisas vão piorando, sim senhor, vão. Se você jogar o sapo na água quente, ele vai dar um pulo violento e vai sumir, mas se se jogá-lo na água fria e se for esquentando aos poucos, ele vai absorvendo aquele calor (pressão) sem saber, sem sentir, e um belo dia ele tá lá: cozidinho, cozidinho… e morto. E o dono do fogão dando risada… “Cozinhei o sapo, hahahahaha… e ele nem sentiu…”

Já vi crianças fazerem crueldades com sapos, gatos, passarinhos, e essas crianças viraram adultos e sua crueldade permanece e muitas dessas crianças ganham poder pela força e espaço na sociedade. A cada dia que passa isso vem acontecendo mais e mais. O poder está na mão dos agressivos. Poder é força e agressividade. Eu vejo, não preciso da Datafolha pra me dizer não. O poder está na mão dos cínicos, dos ladrões, dos traficantes e esses caras tem muitas mulheres e muitos filhos com essas mulheres e essas crianças é que são o futuro do mundo… Há cinqüenta anos atrás você dizia: “as crianças são o futuro do planeta” Essas crianças de cinqüenta anos atrás, estão fazendo que porra? E o que nos garante que as de agora serão melhores que as de meio século atrás, uma vez que tá tudo indo pro esgoto? A educação piorou, a ética não existe mais, o respeito pelo ser humano é uma piada de mau gosto, a corrupção se sofisticou a extremos do ininteligível total, a tecnologia só é usada para o mal, a indústria farmacêutica cria doenças para ela lucrar com os antídotos… Isso sim é que é terror, amigos, isso é que é pavor… Não vejo diferença entre Drácula e Chapeuzinho Vermelho, mas vejo entre um deputado e um caixa de supermercado… Entre um banqueiro e o escriturário que trabalha pra ele… entre o dono de uma fábrica de automóveis e o cara que passa oito horas por dia apertando parafusos e sonha à noite que tá apertando parafusos e fica dando cutucões na esposa, coitada. Não dorme ele, não dorme ela. Vou comprar um sítio, lá pras bandas de Roraima e vou viver de uma hortinha, convivendo com os barbeiros, as cobras, os sapos venenosos, a malária… Quem sabe, assim eu não morro logo e deixo o mundo pra quem é de direito? O mundo é dos violentos, dos agressivos, dos armados, dos mentirosos, dos ladrões, dos burros… enfim, dos desunidos, dos covardes, dos idiotas (alguém falou que o mundo seria dos idiotas – já é). A humanidade está se acabando, está chegando em seu ocaso… Parabéns a Nostradamus, que previu, (de um modo que só ele pode explicar) essas porras. Mas não é preciso ser nenhum profeta não. É só ver os sinais.

Ps.: As fotos são do Vietnã, mas servem, servirão sempre.

Mais uma de Steinbeck:

A mãe mergulhou o prato no balde.

-Vamos partir amanhã de madrugada.

O pai rosnou.

-Parece que as coisas tão mudando – disse, sarcástico. – Me lembro do tempo que era o homem que dizia o que se devia fazer. Parece que agora é a mulher que faz isso. Acho que tá bem na hora de eu arrumar um pedaço de pau.

A mãe colocou num caixote o prato de folha, limpo e ainda gotejante de água. Sorriu, debruçada sobre a sua tarefa.

-Vai, vai buscar um pau – disse. – No dia em que a gente tiver um lugar par morar, pode ser que ocê possa usar esse pau sem arriscar a sua pele. Mas agora cê não faz coisa nenhuma, não trabalha e nem mesmo pensa. Quando ocê tiver fazendo isso tudo, muito bem. Aí ocê pode descer pancada e tua mulher vai ficar fungando e andando de gatinhas. Mas agora não. Agora cê encontra a mulher pela frente. Eu também posso arrumar um pedaço de pau pra desancar em você.

O pai sorriu um sorriso contrafeito.

-Acho que não é direito as crianças ouvir ocê falar desse jeito.

-Enche de presunto a barriga das crianças antes de dizer o que é direito pra elas.

O pai ergueu-se, cheio de desgosto, e saiu…

Será que alguém, na face da Terra, é capaz de entender como esse trecho resume um monte de coisa? Só pra ilustrar (de uma forma bem cretina) sintetiza, por exemplo, ajustada e precisamente toda a obra de  Chico Buarque de Hollanda.