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Chegará o dia em que pararemos de nos surpreender conosco, digo, com nossa “humanidade”? Digo isso porque essa “surpresa”, na verdade, é mais uma ansiedade, e muito dolorosa, por sinal. Falei aqui do LHC, certo? Teoricamente era pra ser algo bom, mas a gente sabe que no final das contas, toda aquela tecnologia vai servir mais ao mal do que ao bem. O LHC é surpreendente, apesar disso. Não vou aqui desmerecer o pessoal que tá ralando lá. Mas o que dizer de algo que a gente sabe que não presta, ou melhor, que a gente sabe que vai gerar quilos e mais quilos de bosta e só? Sabe quando o cara dá um tiro no pé? E a vida é assim, você dá o tiro no pé e não tem como voltar atrás. Aqui no Armazém, eu sou o que no jargão internetiano se chama de fake. O fake, vocês sabem, é aquele que não quer aparecer, que não quer revelar sua identidade secreta e pra mim, às vezes, fica difícil expressar certas coisas mantendo a condição “fakeana”. Tem coisa que só daria pra falar com exatidão se eu dissesse quem sou, mas acho que isso, a longo e médio prazo pode ser ruim. O Armazém é mais um diário aberto, é mais um papel ao vento, que necessariamente uma carta para o futuro – pode até vir a ser, mas não é o caso, agora. Bom… voltando… a humanidade é surpreendente. Recentemente participei de um “movimento”, entre aspas mesmo, pois um movimento é um coisa e um “movimento” é outra, é mais pejorativo e é pra ser mesmo. Então, como ia dizendo, participei deste “movimento” e dei um tiro no pé. A sorte é que foi um tiro no pé coletivo, e na desgraça, a ilusão de que você não está só (pois todo ser humano, no final das contas é solitário) é muito boa. Participei do “movimento” cheio de esperanças e daí veio uma reflexão esta tarde, enquanto lia A Peste de Camus (que me inspirou), e que me deu esse comichão pra escrever esse texto: Como um cara como eu, com trinta e dois anos de idade ainda alimenta esperanças? Como um cara como eu, com trinta e dois anos de idade, ainda se surpreende com as merdas e as “não merdas” que acontecem por aí? Sei que isso não acontece só comigo, acontece com uma porrada de gente, mas quando se tem um pouco de consciência a respeito do que é a vida… a gente deveria ser mais defensivo. Mas daí, refletindo, meditando (coisa de cinco, seis minutos), percebi que há níveis nessa história toda. Por exemplo: As coisas que, na infância, me causavam surpresa e esperança hoje já não causam mais nada de significativo. Quando vi um boeing decolando pela primeira vez, ao vivo, bem de pertinho, foi uma loucura, quase me mijei de excitação e delírio, mas hoje um boeing não passa de um troço grande e perigoso pro caralho (o que não deixa de ser algo decepcionante, em vista da primeira impressão, tão espetacular). É só isso que sinto. O que aconteceria se eu visse um disco voador, um super disco voador, cheio de luzes e tal e depois descobrisse que tudo não passasse de farsa, de uma encenação? Primeiro viria a surpresa, depois a decepção (como no caso do avião)… Tudo bem até que eu ficasse surpreso, mas por que me decepcionar se eu sei que o ser humano é corrupto por natureza? Seria então, esta decepção uma contradição que eu poderia estender a toda humanidade ou isso é algo só meu e de mais meia dúzia? Deve ter gente bem fria, que diz assim: “Ah, eu sabia o tempo todo que essa porra não era um UFO…” e sai e esquece isso na hora em que vira a cara. Eu ficaria querendo matar o filho da puta que mexeu com meus sentimentos ufológicos. É assim que estou me sentindo hoje. Meu UFO não era um UFO de verdade… kkkkkkkkkkkkkk… Quem manda um cara de trinta e dois anos acreditar em Ufos? Quanto mais mirabolante é o troço no qual que você acredita, tão pior é a decepção quando ela vem, e vem mesmo, é só questão de tempo… Existem coisas em que você quer acreditar, mas não dá, cara, não dá… não acredite, não acredite, senão você vai de foder bem bonitinho. Por exemplo: Os sindicatos? Kkkkkkkkkkk… Os sindicatos não funcionam nem nos livros de Steinbeck, vão funcionar na vida real? Ainda mais aqui no Brasil. Eu sou trabalhador e fico impressionado quando terminam as rodadas de negociação… Só tem pelego pra tudo quanto é lado. Dá pra ver que fulaninho recebeu um por fora, não tem jeito… Lembrei até de uns versinhos bem antigos, que li no livro 1808 de Laurentino Gomes: “Quem furta pouco é ladrão, Quem furta muito é barão, Quem mais furta e esconde, Passa de barão a visconde.” Cara, isso é do Brasil Império… E até hoje cai como uma luva e ninguém, absolutamente ninguém, tenta mudar isso! Tá vendo? Tá vendo a loucura? Tá vendo a loucura do cara indignado? O mais certo seria eu dizer: é, é isso mesmo, vai ser sempre assim…

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2 Comments

  1. vc sabe! valeu sim, sou sua fâ nº 1 rsrsrsrsrs.vc escreve muito bem cara…
    acompanho sempre.

  2. Beleza, garota! Também sou seu fã!


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