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Monthly Archives: novembro 2008

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Vez ou outra me pego a interrogar-me sobre o que sei a respeito das coisas. Vejo que não sei nada profundamente. Sinto alívio por um lado e um pouquinho de angústia por outro. Alívio por não ser um especialista, e angústia pelo fato de que o mundo de hoje exige especialistas. Ser um expert tem lá o seu preço e não sei se seria mais ou menos angustiado do que sou, não sendo atormentado por montes de coisa ao mesmo tempo. No final das contas percebo que sou o que sou e ponto final. A gente vive como pode, fazendo o que pode e buscando o que o braço alcança. Conheço gente que já foi pros EUA e adorou. Gente que sabe falar inglês, é claro. O pessoal passou certo tempo lá, ganhou dinheiro e voltou. Essa galera é cheia de lembranças boas. Não sei falar inglês, nem sei nada sobre os EUA, mas conheço, logicamente, algo da cultura de lá. Arrisco até dizer que possivelmente sei até mais sobre lá do que sobre o Brasil. Isso é um disparate, mas já não sei mais também o que é disparate e o que não é. Saber sobre  nossa cultura vai me ajudar em quê, levando-se em conta que somos pobres também nisso? O Brasil é fenomênico, em diversos aspectos. É um país rico em desgraças, mas incapaz de produzir, hoje em dia, bons escritores. A crise literária é mundial. Mas aqui a coisa ganha dimensões dantescas. É claro que há pessoas escrevendo, muitas, mas cadê esse povo? Foi o que Norman Mailer disse (é o velhinho na foto): “a democracia depende da beleza da linguagem”. Concordo com este grande escritor contemporâneo, um dos últimos, que morreu no ano passado aos oitenta e quatro anos. A cada dia que passa, nosso país se torna menos democrático e mais burro e a tendencia é piorar. Quem é que pode viver de arte, hoje? Quem é que pode sonhar em escrever? Quem é que pode sonhar em esculpir, pintar, cantar? A televisão escolhe quem ela quer, e ao resto sobra apenas a opção de ralar o bucho. Isso é democracia? Você pode escolher seus caminhos, mas quase todos levam ao mesmo lugar: fome, pobreza, marginalização, solidão, angústia, etc. Mailer era uma voz extremamente ativa na cultura americana, era alguém que dizia sem o menor pudor, dentre inúmeras outras coisas, que George W. Bush era pior que um jumento. Eu nunca vi um artista brasileiro sequer chingar nenhum dos nossos grandes filhos da puta, exceto por certas metáforas aplicadas no período militar. Aqui existe a cultura do rabo preso, da bajulação, do favorecimento… Só uma única vez, pra não ser injusto, presenciei Paulo Autran, no Sem Censura, da TVE, meter seca em Edir Macedo. Mas antes de Paulo Autran falar, a apresentadora tinha comentado, com outro convidado do programa, algo sobre esse nosso grande bandido e ela foi obrigada, após o intervalo, a se retratar diante das câmeras. Paulo se revoltou com a atitude da TVE e soltou os bichos… Mas isso é uma agulha no palheiro. Nunca mais vi nada assim, e isso tem cerca de dez anos. Tem uma entrevista com Norman Mailer, e gostaria muito que você, caro leitor do Armazém, lesse. Ela está no seguinte link: http://www.geneton.com.br/archives/000174.html. Pensei em reproduzir algumas coisas aqui, mas o texto ficaria enorme e tenho estado sem muito tempo. Quando li essa entrevista, novamente me peguei vitimado por dois sentimentos díspares (tem um nome pra isso, mas esqueci). Fiquei alegre por saber que tem gente que pensa como ele (faz de conta que o cara ainda tá vivo) e triste por saber que no Brasil, gente como ele, morreria pobre, fodido. Não há espaço pra pessoas como Mailer se desenvolverem aqui. Ele que já estava sufocado lá na “grande águia”, aqui  sequer se desenvolveria. É só pensar que o cara era jornalista. Ora, a revista VEJA, que já prestou, abriu a boca em uma de suas edições (foi desse ano, mas esqueci o número), e chamou Karl Marx de “velho barbudo acometido de furúnculos que engravidou a empregada”. Coitado de Mailer, se vivesse em solo tupiniquim. Falar de quem já morreu é fácil, ainda mais de gente como Marx, que deu a cara pra bater. O cara escreveu massarocas e massarocas de teorias respeitadas em tudo quanto é buraco e duas repórteres da VEJA o esculacham, como se aqui não houvesse montes de sacanas pra serem esculachados. Que culpa Marx tem se a humanidade não presta? Ele lançou as idéias, a maioria utópicas, e se a coisa não deu certo, não precisa também chinga-lo. Afinal, o capitalismo, o sistema vigente, tornou o mundo melhor em quê? Quando você vende sua força de trabalho, você também se vende. Mas vá lá… Tudo bem que eu venda minha força de trabalho, mas por que tenho que ficar oito, dez, doze horas por dia fazendo isso e ganhando uma porcaria? Com os avanços tecnológicos poderíamos educar melhor as pessoas, fazê-las trabalhar menos e ganhar mais, e dessa forma propiciar o tempo livre para a cultura, o lazer, o estudo… Mas é isso que acontece? Talvez a Suíça seja assim, não sei… Como disse, sou meio ignorante. Mas devem existir bons lugares no mundo. Deve existir gente que trabalha decentemente, sem ser explorado até a exaustão por bandos de corruptos… Bom, chega. É um domingo de tarde. Vou me entregar a alguma atividade lúdica. Chega de falar dessas coisas.

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Procuro sempre manter minha TV desligada, como sempre fiz, faço e continuarei a fazer caso minhas faculdades mentais permaneçam como estão (nem muito boas, nem muito ruins). Mas vez ou outra, você se pega numa situação onde ela, a TV, lhe acua. O troço fica ligado na sua frente e acabou, algo lhe puxa e sua cabeça fica ali, parada, diante da tela. Nessa sexta tive o imenso desprazer de assistir a um lixo que se chama Ó Paí Ó. Sou baiano, e aquilo não é a Bahia. Sempre que as TV’s do sul invocam conosco é tratando mal, é desfazendo, é caricaturando. Isso sempre aconteceu. As mulheres são todas putas e/ou beatas dementes, os homens são todos imbecis e cornos, todo mundo fala arrastado e aos berros, a história supõe um humor que não existe, sem falar da preguiça crônica que nos aflige, desde a época de Cabral. Mas Ó Paí Ó bateu todos os recordes de sacanagem televisiva que um povo pode fazer contra ele mesmo, certamente. Enquanto via aquele monte de barbaridades, tolices, sandices, trejeitos e gritos sem sentido, foi como se alguém, com o dedo em riste, apontasse pra minha cara e dissesse: “antes isso que nada, seu baiano de merda! ‘Fale mal, mas fale de mim!’”. Aquela é uma realidade local, de um local de Salvador, mais precisamente do Pelourinho. Respeito o pessoal do Pelourinho e sei que há dificuldades enormes por lá. Tenho certeza que as coisas são mais sérias do que parecem, que há muita prostituição, analfabetismo, doença e tristeza. Há tempos que os baianos conscientes sabem que essa alegria toda, na verdade, é uma forma de disfarçar a profunda melancolia que abate nossas vidas sem rumo. Toda essa sexualidade, toda essa explosão, toda essa movimentação, é mais como a atitude de alguém que sabe que o mundo vai acabar amanhã e quer botar pra quebrar hoje e agora. Não consigo enxergar a vida do povo do Pelourinho como algo a ser admirado. Posso admirar sim sua capacidade de sobreviver e querer continuar a viver apesar de tudo, mas fazer um suposto humor em cima de situações como a da grávida que pena por vários hospitais pra da à luz é uma puta de uma sacanagem – o problema tem que ser mostrado, mas não como algo natural, quase cômico (que na verdade é – o que não é novidade, aqui pra nós), e sim como um escândalo (que deveria ser). Nos acostumamos a sofrer humilhações e Ó Paí Ó é uma prova disso. Perdemos o direito a auto-estima, como se auto-estima fosse orgulho. A Bahia não é o melhor lugar do mundo, mas é onde eu vivo e me senti desrespeitado com essa porra dessa série, que espero que acabe logo.

sol

O calor está terrível esses dias… nossa, como está quente! Saio do trabalho por volta do meio-dia para vir almoçar. Até chegar em casa, sou fustigado por um sol cujos raios são verdadeiras lâminas cortando minha carne. Há vinte anos atrás não era assim. Não senhor, não era. Havia dias de calor, dias quentes, mas não dias aterrorizantes, como os de agora. Depois de uma semana com este novo tipo de insolação a paisagem muda radicalmente. As plantas e o solo secam numa velocidade incrível. A Natureza é capaz de se regenerar, mas sem o homem por perto… então… Deus poderia fazer alguma coisa? Um dia desses estava assistindo a um vídeo sobre a Índia e em como a religiosidade lá é levada a sério. É claro que tem muita coisa errada, e tal, mas existe um certo respeito pelo próximo, entre o povão. Não sei como é a política. Deve ser fodida como a de qualquer outro lugar, deve existir corrupção pro caralho e um monte de merda, como prostituição infantil e coisas do tipo. Mas o povão, o grosso mesmo, exerce uma grande respeitabilidade mútua. É aquele lance de castas. O cara nasce fodido e morre fodido, fica tranqüilo, afinal lá adiante ele terá uma nova vida, melhor que essa, e por aí vai… Até que ponto os descrentes se aproveitam disso? Não sei. Como já falei antes em outro post, não sou sociólogo, mas sou curioso que só a porra. Mas então, voltando… eu posso ser um mendigo, posso ser consciente disso, e, apesar de tudo, viver bem com isso, como acontece na Índia. Posso ver o cara passar com um puta carro, cheio de mulheres dentro e não ter a menor inveja, enquanto minha barriga ronca. Imagine um país cheio de gente assim? Por outro lado, pense nos religiosos que você conhece aqui, no nosso país, por exemplo. Não falo dos que crêem do fundo do coração, falo daqueles que põem a bíblia debaixo do braço, vão a todas as missas, e são filhos da puta de carteirinha. Se acham superiores aos que não são como eles, mas praticam adultério, cobiçam como verdadeiros ladrões, desejam as irmãs e irmãos de igreja com uma fome igual a de qualquer animal em estado selvagem, escarnecem no maior cinismo e cara-de-pau as pessoas de outros direcionamentos. Conheço uma mulher que quando fala em Jesus deixa a espuma escorrer pelos cantos da boca e é bastante nítida a ênfase sexual em suas palavras e gestos. Se alguém muito parecido com Jesus e envergando suas vestes aparecesse para ela sob uma determinada circunstância pedindo que lhe chupasse o pau, aposto que essa mulher não pensaria duas vezes. E ainda me arrisco a dizer que, possivelmente, esta seria a melhor tarefa que “Jesus” poderia lhe dar, além de comer-lhe o rabo, logicamente. E onde é que o aquecimento global entra nessa história? Pensem, que tem relação, podem pensar. Todo mundo reclama do calor, mas quem pode fazer alguma coisa, não faz nada. Eu posso fazer alguma coisa? Não, nada que eu sozinho fizer vai mudar o clima do planeta. Mas quem está no poder pode adotar medidas em prol do meio ambiente. Só que aí vem a grande questão: quem está no poder, quer o quê? Quem está no poder, que poder, ora bolas. Quem buscou isso a vida toda, é por que quer isso, é lógico, é simples. Se o poder dele for ameaçado por medidas em prol do meio ambiente, ele deixa de pensar no meio ambiente para que seu poder se mantenha. Nem tudo seria tão circunstancial e caótico se houvesse mais aceitação da “verdade” da vida – que é a coisa mais simples e bela que existe. Cada um tem sua vida, e se preocupa com sua própria vida, mas a VIDA a VIDA com todas as letras maiúsculas – e que se confunde com o próprio conceito de Natureza -, com essa ninguém se preocupa, nem párias, nem crentes, nem poderosos. Não adianta ser bonzinho como o pária, nem escroto como o crente, nem sei-lá-o-quê como o poderoso… é preciso deixar de ser burro. Eu posso ser mortal, mas não posso sair cagando por tudo quanto é canto, ou posso? Você que está lendo esse post, que tem acesso a Internet, que sabe ler, e que teve saco de chegar até aqui, acha certo sair cagando por aí, indiscriminadamente? Existem coisas certas e coisas erradas, sim. Julgar até pode ser um erro, mas o maior erro é não olharmos dentro de nós mesmos e essa é uma das molas mestras da burrice. Essa coisa de você não avaliar os seus atos vicia, como a preguiça, pois é mais cômodo… ainda mais nesse calor desgraçado. É claro que o mundo está acabando. O emprego está acabando, a fome está aumentando, os recursos naturais estão se esvaindo, a exploração do homem pelo homem continua a todo vapor, firme e forte, sob novas e sofisticadas formas de escravidão, há mais sujeira nos rios do que nunca, a água potável está acabando, as pessoas estão se drogando como nunca… Diante disso, e de muitas outras coisas, é fácil entrar em desespero… um desespero sutil, recôndito, e daí você pensa: é melhor eu viver minha vida e o resto que se exploda… entretanto, a burrice não nos deixa enxergar que se o resto todo explodir, explodiremos também, pois tudo é resto, e todo mundo pensa assim, nem que seja na hora da morte.

Um dia desses, deitado na cama, numa quarta-feira, por volta das seis da manhã, tive um daqueles momentos chatos. Sem sono, agoniado, cansado de existir (mesmo!), sabe? Pois bem, pensei num cara. Um sujeito qualquer, sem muita expressão e tal, um cara normal, sentado à beira de um riacho… no coração da floresta amazônica. Pense bem, NO CORAÇÃO DA FLORESTA AMAZÔNICA! Ele não tem nada, exceto suas roupas. Não tem cigarro, fósforo, celular, caneta, NADA! Como caiu nessa situação? Só Jesus, pra dizer. Eu não sei, mas vi o sujeito ali, parado à beira de um riacho, e ao seu redor uma massa verde, úmida, quente, mosquitos imensos a chupar-lhe o sangue e infligindo-lhe doenças inimagináveis… Ir para onde? Ele pensa. Na verdade, o cara, que podemos chamar de Noel (poderia ser qualquer outro nome) já andou bastante, tá cansado pro caralho e só parou ali porque tinha água corrente. Encheu a barriga de água e amuou ao tronco de uma árvore imensa. Noel suspira e deixa que as lágrimas caiam. “Morrerei aqui”, pensa ele. No auge de sua agonia, olha para o lado. A poucos metros, vê algo brilhante. Fica durante algum tempo admirando aquele brilho emergindo através das folhas secas à beira da água. Noel, casado, pai de dois filhos (“onde estarão eles agora?”), por alguns instantes, tem a impressão de estar sonhando. Na verdade, queria muito isso. Mas um inseto enorme, dotado de uma gigantesca bomba de sucção, quase destruiu-lhe a jugular – isso o obrigou a voltar à sua dura realidade, mais rápido do que queria. Apesar disso, o brilho continuou lá… Aqui cabe um parêntese: não se esqueça que isso tudo foi pensado na cama, às seis, numa quarta e tal… Bom, voltando… Noel resolveu então ir até o brilho, que insistia tanto em brilhar. Não era miragem. Se arrastou, com o pouco de força que possuía e limpou as folhas que cobriam parcialmente a fonte do brilho. Seu combalido coração, já massacrado pelo terror da morte iminente (mas lenta), deu outro revertério quando seus olhos pousaram sobre uma enorme pedra de diamante. Por coincidência, e bota coincidência nisso, nosso “perdido” é especialista em pedras preciosas e reconhece de imediato o valor daquele “achado”… (peço desculpas pelo trocadilho cretino, mas foi inevitável). Ele pega a pedra, de quase meio quilo, lindamente lapidada, e a limpa na água do riacho. Em seguida, volta para se recostar na árvore imensa, com a pedra no colo. Noel olhou-a até morrer. Eu vi isso, vi um homem, perdido no meio do nada, olhando para uma pedra espetacular e morrendo com ela nas mãos. Ali, na situação em que se encontrava, aquele diamante valia menos que um aparelho GPS, por exemplo. Ou melhor ainda, um daqueles celulares de longo alcance – com a bateria carregada, é claro. Sei que é absurdo pensar nisso, mas não é menos absurdo que o que aconteceu. Mas vejam, o lance todo é a utilidade. A gente pode até se perguntar: o que é a beleza?, tomando como ponto de partida a situação toda. Sim, pois a beleza do diamante não ajudou Noel a reencontrar sua esposa e seus filhos. Mas um GPS horroroso, cheio de botões e luzinhas piscando, poderia. O que é a beleza do diamante? Pra que serve a beleza do diamante? De que adianta a beleza do diamante? Ele é raro, só tem ele, mas e daí? Nem comê-lo Noel podia, ora bolas! Muita coisa passou pela cabeça no nosso amigo, antes de morrer, imagino… Entretanto, remoendo esse pensamento, e isso já tinha o quê?, passado uma boa meia hora… então, remoendo isso tudo, me veio algo bem triste, sim, triste: esse diamante pode representar a vida, essa existência nossa. Cada ser é único, portanto raro. Nem todos são belos, mas seu caráter único compensa isso… contudo, para que serve esse troço todo? Digo, esse existir? Esse viver? O cadáver de Noel está ainda hoje lá, encostado ao tronco da enorme árvore, e o diamante também está lá, com ele… Onde estará o espírito de Noel? Se existe espírito, pra que serve? Diante disso, lembrei da imagem de uma linda nuvem de poeira cósmica e também me perguntei pra que diabo serve isso. Por que a Natureza precisa do meu sofrimento tanto quanto da nuvem de poeira cósmica? Toda essa estética, toda essa beleza, toda esse busca desenfreada por prazeres e gozos materiais nos levará pra onde? Se tudo der certo (ou errado) seremos velhos lembrando das melhores transas, das melhores viagens, dos melhores dias vividos… mas, e daí? Você está entrevado, duro, não consegue mais andar, sua memória está uma droga, você baba, se caga… de repente descobre um tumor e é só questão de tempo… e isso tudo, toda essa baba, esse cocô, essa memória serviu pra quê? A gente olha pra dentro da gente, como Noel olhou pra aquele diamante até morrer. A gente busca uma beleza que existe, mas não serve pra nada. É só isso… Depois desse pensar desalmado, me levantei, tomei banho, café, escovei os dentes, me arrumei e fui pro trabalho… É só isso, e nada mais… à noite, quando cheguei, enquanto tirava os sapatos, olhei para o relógio e pensei em como estava ficando velho e que talvez a única coisa que exista de fato, dentro e fora de nós mesmos, seja o tempo. O tempo não é uma mera criação do homem, não pode ser. O homem pode até ter criado Deus, mas não criou o tempo. O homem deu uma “cara” ao tempo, aprisionou frações dele em relógios. Não tem jeito, a única coisa que existe é o tempo e as coisas que estão dentro dele são como o diamante de Noel. O tempo vai distorcer, amassar, amadurecer, vencer, corroer, mutilar, estuprar, envelhecer, mas no final, bem lá no final, tudo será uma coisa só, e que não servirá pra absolutamente nada.