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sol

O calor está terrível esses dias… nossa, como está quente! Saio do trabalho por volta do meio-dia para vir almoçar. Até chegar em casa, sou fustigado por um sol cujos raios são verdadeiras lâminas cortando minha carne. Há vinte anos atrás não era assim. Não senhor, não era. Havia dias de calor, dias quentes, mas não dias aterrorizantes, como os de agora. Depois de uma semana com este novo tipo de insolação a paisagem muda radicalmente. As plantas e o solo secam numa velocidade incrível. A Natureza é capaz de se regenerar, mas sem o homem por perto… então… Deus poderia fazer alguma coisa? Um dia desses estava assistindo a um vídeo sobre a Índia e em como a religiosidade lá é levada a sério. É claro que tem muita coisa errada, e tal, mas existe um certo respeito pelo próximo, entre o povão. Não sei como é a política. Deve ser fodida como a de qualquer outro lugar, deve existir corrupção pro caralho e um monte de merda, como prostituição infantil e coisas do tipo. Mas o povão, o grosso mesmo, exerce uma grande respeitabilidade mútua. É aquele lance de castas. O cara nasce fodido e morre fodido, fica tranqüilo, afinal lá adiante ele terá uma nova vida, melhor que essa, e por aí vai… Até que ponto os descrentes se aproveitam disso? Não sei. Como já falei antes em outro post, não sou sociólogo, mas sou curioso que só a porra. Mas então, voltando… eu posso ser um mendigo, posso ser consciente disso, e, apesar de tudo, viver bem com isso, como acontece na Índia. Posso ver o cara passar com um puta carro, cheio de mulheres dentro e não ter a menor inveja, enquanto minha barriga ronca. Imagine um país cheio de gente assim? Por outro lado, pense nos religiosos que você conhece aqui, no nosso país, por exemplo. Não falo dos que crêem do fundo do coração, falo daqueles que põem a bíblia debaixo do braço, vão a todas as missas, e são filhos da puta de carteirinha. Se acham superiores aos que não são como eles, mas praticam adultério, cobiçam como verdadeiros ladrões, desejam as irmãs e irmãos de igreja com uma fome igual a de qualquer animal em estado selvagem, escarnecem no maior cinismo e cara-de-pau as pessoas de outros direcionamentos. Conheço uma mulher que quando fala em Jesus deixa a espuma escorrer pelos cantos da boca e é bastante nítida a ênfase sexual em suas palavras e gestos. Se alguém muito parecido com Jesus e envergando suas vestes aparecesse para ela sob uma determinada circunstância pedindo que lhe chupasse o pau, aposto que essa mulher não pensaria duas vezes. E ainda me arrisco a dizer que, possivelmente, esta seria a melhor tarefa que “Jesus” poderia lhe dar, além de comer-lhe o rabo, logicamente. E onde é que o aquecimento global entra nessa história? Pensem, que tem relação, podem pensar. Todo mundo reclama do calor, mas quem pode fazer alguma coisa, não faz nada. Eu posso fazer alguma coisa? Não, nada que eu sozinho fizer vai mudar o clima do planeta. Mas quem está no poder pode adotar medidas em prol do meio ambiente. Só que aí vem a grande questão: quem está no poder, quer o quê? Quem está no poder, que poder, ora bolas. Quem buscou isso a vida toda, é por que quer isso, é lógico, é simples. Se o poder dele for ameaçado por medidas em prol do meio ambiente, ele deixa de pensar no meio ambiente para que seu poder se mantenha. Nem tudo seria tão circunstancial e caótico se houvesse mais aceitação da “verdade” da vida – que é a coisa mais simples e bela que existe. Cada um tem sua vida, e se preocupa com sua própria vida, mas a VIDA a VIDA com todas as letras maiúsculas – e que se confunde com o próprio conceito de Natureza -, com essa ninguém se preocupa, nem párias, nem crentes, nem poderosos. Não adianta ser bonzinho como o pária, nem escroto como o crente, nem sei-lá-o-quê como o poderoso… é preciso deixar de ser burro. Eu posso ser mortal, mas não posso sair cagando por tudo quanto é canto, ou posso? Você que está lendo esse post, que tem acesso a Internet, que sabe ler, e que teve saco de chegar até aqui, acha certo sair cagando por aí, indiscriminadamente? Existem coisas certas e coisas erradas, sim. Julgar até pode ser um erro, mas o maior erro é não olharmos dentro de nós mesmos e essa é uma das molas mestras da burrice. Essa coisa de você não avaliar os seus atos vicia, como a preguiça, pois é mais cômodo… ainda mais nesse calor desgraçado. É claro que o mundo está acabando. O emprego está acabando, a fome está aumentando, os recursos naturais estão se esvaindo, a exploração do homem pelo homem continua a todo vapor, firme e forte, sob novas e sofisticadas formas de escravidão, há mais sujeira nos rios do que nunca, a água potável está acabando, as pessoas estão se drogando como nunca… Diante disso, e de muitas outras coisas, é fácil entrar em desespero… um desespero sutil, recôndito, e daí você pensa: é melhor eu viver minha vida e o resto que se exploda… entretanto, a burrice não nos deixa enxergar que se o resto todo explodir, explodiremos também, pois tudo é resto, e todo mundo pensa assim, nem que seja na hora da morte.

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