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Monthly Archives: outubro 2009

Esse vídeo é uma pérola. Um pastor de uma dessas igrejas que pululam por aí, vai pregar e começa a falar em línguas. Em seguida, “tomado de êxtase”, começa a rodar tresloucado. É engraçado pra cacete. Mas fico pensando: essa galera, que acredita mesmos nessas coisas, deve ser feliz. O cara vai prum culto desse, vê o pastor rodar igual uma pomba-gira e nesse momento o sujeito lava a alma. Sai burro, do mesmo jeito que entrou, mas em compensação mais esperançoso, pois viu o pasto pião, e um cara que roda que só porra, daquela maneira, só pode ser um enviado de Deus…

Esse vídeo é pra quem acredita em nossos canários-da-terra mascarrados!!!!

Dei muita risada, principalmente por ter visto isso de perto… e posso dizer uma coisa: não é muito diferente não…

Globalizacao

Recentemente, numa discussão com um amigo, reafirmei minha posição de falta de esperança na humanidade. Entretanto, apesar disso, não consigo deixar de me indignar com a brutalidade e estupidez de nossa espécie. É de se pensar que alguém como eu se torne cínico, perverso, sado-masoquista, indiferente… Mas é exatamente o contrário. Não sei porque isso ocorre. Desconheço totalmente os mecanismos psíquicos que formam alguém com meu modo de ser e de pensar, aparentemente paradoxal. Pode ser pelo simples fato de ser humano. Ainda que eu veja um bandido ser executado, ainda que saiba que ele fez mil e uma perversidades, ainda assim, embora ache que ele deva pagar com a vida, isso não me alegra nem um pouco. Recentemente vi algo que confirma isso. Um moleque roubou o celular de uma garota que saía de um colégio particular próximo à minha casa. Alguns colegas dela, que viram o roubo, uns seis ou sete, correram atrás do meliante. Quando este viu que a coisa ia ficar preta, ele jogou o celular no chão e continuou a correr, desesperadamente. Só não presenciei o momento exato do roubo, mas vi toda a correria. Fiquei imaginando se o ladrão caísse na mão da galera, e foi, no mínimo, sábia a decisão dele, de se livrar do aparelho. Mas o importante é colocar o quanto me senti mal presenciando aquilo, em plena luz do dia, ainda mais numa cidade pequena como a minha, que em tempos atrás (pouco mais de uma década), podia-se dormir num banco da praça que ninguém lhe fazia mal algum. A cidade está crescendo, a população aumentando, mas não se vê DESENVOLVIMENTO. Existe sim um retraimento absurdo da segurança pública e da qualidade de vida. Conheço gente que trabalha de sete da manhã a sete da noite para ganhar cento e sessenta reais por mês. Conheço, pessoalmente, meia dúzia de viciados em crack, e outro tanto em cocaína. Não se pode mais andar a pé sozinho por nossas ruas, após as dez da noite… A saúde continua a mesma coisa e a educação também, tudo de péssima qualidade. O povo continua se arrastando, alguns têm mais sorte como eu e outros que conseguem romper determinadas barreiras, mas é preciso respaldo pra se chegar em certos pontos. Fernando Henrique Cardos em seu cinismo exacerbado, disse, certa feita: “Como é que dizem que no Brasil não há mobilidade social? Veja o exemplo de Lula, que saiu de torneiro mecânico, para presidente da república.” Ora, dizer que há mobilidade social num país de quase duzentas milhões de pessoas, só porque um único cara chegou lá, é ser um grande sacana, ou um grande gozador. Vejamos o caso de Barack Obama, que acabou de ganhar o Nobel da Paz. Ele está na presidência porque deixaram ele ir, a indústria de armas deixou e a CIA. Quando Kennedy quis pôr fim à guerra do Vietnã, a gente sabe o que aconteceu, e também foi nesse episódio que surgiu o maior bode expiatório da história, Lee Oswald… Lula não chegou lá sozinho, e quem governa mesmo é José Dirceu e a corja dele, por trás dos bastidores, mas aí são outros quinhentos, que o diga Heloísa Helena, que não é santa, pois afinal, ninguém o é. O grande problema foi o consenso de Washington (vide Google ou Wikipédia), quando líderes de vários países, juntamente com os maiores empresários da época, elaboraram a Cartilha Neoliberal (vide Google ou Wikipédia) e ditaram as regras para o poder público, daquele dia em diante. Pra mim, nesse momento, foi quando a humanidade jogou a pá de cal em si própria. É muito simples raciocinar sobre isso: Até 1990, tinha-se a idéia (acertadíssima, em meu conceito) de que os governantes (prefeitos, vereadores, governadores de estado, etc) eram representantes dos interesses do povo. Com o consenso de Washington esse poder, ou idéia, deixou de existir e os governantes passaram a atender os interesses das empresas, que estavam muito excitadas em estender seus tentáculos para os países miseráveis, sob a justificativa de que levariam “emprego” e “desenvolvimento” para lá… foi por esse tempo que se cunhou o termo globalização, aldeia global, essas viadagens… Alguém disse que protestar contra a globalização e como protestar contra o mau tempo. Concordo, não tem jeito… mas eu penso… o que a globalização e o neoliberalismo trouxeram para nós? Carros importados? Celulares de ponta? Processadores de computador mais velozes? Acho que trouxeram doenças da alma, muito pesadas. Com a escassez de emprego (olha o paradoxo aí… os caras não disseram que tudo ia melhorar? é só reduzir a jornada semanal de trabalho que há aumento na oferta de emprego – na França é assim, Holanda, e por aí vai…) os trabalhadores vêm se sujeitando cada vez mais ao assédio moral, há muitos suicídios por conta disso. Morre-se de estresse e de câncer e ninguém tem mais tempo pra nada. É preciso se dedicar exclusivamente ao trabalho, e esquecer da família, da vida, dos amigos… Interessante que muitas pessoas que defendem esses modernismos são as mesmas que são escravizadas por elas… Com o advento da tecnologia, não se passou a trabalhar menos e ganhar, pelo menos o mesmo, passou-se a executar o trabalho de mais pessoas… Já falei sobre isso aqui. Quem tem dinheiro, hoje em dia, para gozar das últimas tecnologias de ponta? Não somos nós, com certeza, que fazemos parte da maioria esmagadora (ou esmagada). Assim, Lula não é representante do meu interesse, eu que o ajudei a colocá-lo onde ele está. Mas tanto faz Lula quanto Alckmin ou Serra… todos fariam o que Lula está fazendo, ainda que digam que Alckmin privatizaria até a mãe dele… Governar o Brasil, hoje em dia, consiste em sentar com os representantes da Fiesp, da Fenabam e aumentar os impostos para a classe média (classe essa que deixará de existir, daqui a alguns anos). Enfim, cansei de escrever. Nada disso é novo, mas nenhum boi morreu até hoje por ruminar, muito antes pelo contrário.

-A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens.

O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes Saavedra

Stanley Milgram, psicólogo social americano, estudou entre 1950 e 1963 os fenômenos de submissão à autoridade. Seu método era o seguinte: “Uma pessoa vem a um laboratório de psicologia, onde se lhe pede que execute uma série de ações que vão, progressivamente, entrar em conflito com a sua consciência. A questão é saber até que ponto ela seguirá as instruções do pesquisador antes de recusar-se a executar as ações prescritas.” Em sua conclusão, Milgran é levado a crer que “pessoas comuns, desprovidas de qualquer hostilidade, podem, simplesmente, para levar a cabo as tarefas, tornar-se agentes de um atroz processo de destruição”. Essa constatação é ratificada por Christophe Dejours, que fala da banalização social do mal.


Marie-France Hirigoyen em seu livro Assédio Moral – A Violência Perversa no Cotidiano

Atletas do tiro aguardam ansiosamente os jogos do Rio

Atletas do tiro aguardam ansiosamente as olimpíadas do Rio

Mais uma merda pra terminar de foder com tudo. Como se já não bastasse uma porra de uma copa em 2014, agora olimpíadas em 2016… Duas catástrofes anunciadas com diferença de apenas dois anos. Imaginem, o Rio de Janeiro vai gastar R$ 29 bilhões pra sediar os jogos olímpicos… Daí fico pensado, “por que cabrunco Chicago perdeu?” Não entra em minha cabeça. Onde o Rio de Janeiro é melhor que Chicago? Onde o RJ é melhor que Tóquio e Madri? Em lugar nenhum, só na cabeça dos loucos que inventaram essa droga. Vi em algum lugar que estima-se que quase seis milhões de empregos serão gerados com isso, mas acredito que “empregos” é melhor que empregos, sem aspas. Pois, trabalhos na área de construção civil e serviços não são necessariamente empregos, são trabalhos. Vão construir um monte de merda, estádios, ginásios e o escambau, um monte de gente vai ser ajudante de pedreiro, mestre de obras essas porras, e depois? Vai ficar todo mundo de mão abanando, é claro. Alguém pode falar: mas as obras estarão lá, elas serão usadas para incrementar o esporte e tal. E aí eu pergunto: quem disse isso? É preciso grana e cultura pra se manter os centros desportivos. Será que daqui pra 2016 o Brasil vai mudar sua cultura predatória, corrupta e imediatista e pelo menos estimular e patrocinar uma meia dúzia de atletas pra quem sabe a gente sair com um punhadinho de medalhinhas de ouro e prata, ou até mesmo bronze? Mas quando falo de patrocínio, essas coisas, nem vou todo no fundo da questão, afinal, em se tratando de nosso país lindo, o buraco, é sempre, mas sempre muito mais embaixo. Quem conhece um colégio que forma atletas, aqui? Eu não conheço. Quem forma os jogadores de futebol são as ruas… O resto é um punhado de sonhador, que vez ou outra chega lá. Nossas escolas são verdadeiros lixos, nossos professores são marginalizados, mal pagos, desacreditados, mal preparados… Como formar atletas? Não há como! De uns anos pra cá, se instituiu a cultura dos cursos técnicos, visando a indústria… nossa mãe! vamos pensar um pouquinho… A indústria está indo pra onde? Está saindo (já saiu, melhor dizendo) dos países de primeiro mundo pros de terceiro e quarto, como o nosso. Lá fora, onde o povo é mais esperto, as escolas preparam o cidadão não pra ser um torneiro mecânico, um pintor de paredes, um apertador de porcas (que os imigrantes servem pra isso muito bem), o cidadão é formado pra se moldar ao mundo, pra se adaptar à realidade, criando alternativas, desenvolvendo trabalhos seus, resumindo, o cara é convidado a usar a criatividade o tempo todo. Isso gera arte de alta qualidade, arquitetura de alta qualidade, design, projetos científicos eficientes e inovadores, tecnologias baratas e efetivas… enfim, o que se vê por lá… e aqui? Estamos formando gente que vai engrossar o caldo do exército de reserva pras grandes multinacionais e um dia elas vão pra África e depois pra um lugar ainda mais fodido e desesperado. E a verdade é que quando essas multinacionais saíram de seus países de origem o povo estava preparado pra isso, o povo estava preparado para as grandes ondas de desemprego e nem ligou. Deu foi graças a Deus por se ver livre desses miseráveis sanguessugas da vida humana e passou a adotar, quase inconscientemente novas formas de viver, de compreender e interagir com o mundo. Por exemplo, hoje, na França, há muitas regiões com taxa de crescimento populacional negativo, e o governo está estimulando as pessoas a reproduzirem… Mas é claro que elas não vão acatar essa decisão, pois são pessoas francesas e elas sabem que o governo só quer foder todo mundo, desde que não sejam grandes empresários. Mas isso tudo serve pra mostrar que não temos cultura, nem nunca teremos, enquanto a educação não sofrer uma pesada e revolucionária reformulação. Assim que a copa e as olimpíadas passarem, todo mundo vai esquecer. Uns poucos vão lucrar pro caralho, como sempre, as atenções ficarão voltadas para a festa (daí poderão acontecer, por exemplo, alguns bons escândalos de corrupção no governo, que ninguém vai notar) e tudo, os ginásios, os estádios, tudo será tomado pelo mato, vai virar sucata, pois aqui ninguém sabe cuidar nem zelar por nada e o povo só aprendeu a gostar de futebol, e em seis anos isso não muda.

Eu só seria favorável ao Brasil sediar uma copa e uma olimpíada daqui há uns cinqüenta anos, depois de uma revolução na educação (já pensou, aplicar R$ 29 bilhões na educação, em sei anos! Tenho certeza que os resultados para o país seriam bem melhores a médio e longo prazo), que transformasse o país num país decente, de gente esperta, sábia, criativa e cuidadosa… Aí sim, valeria a pena. Mas nosso povo ainda é muito burro, imediatista e deslumbrado…

guir

"Menor Aprendiz"

Na semana passada minha pressão foi pra 15/8. Cheguei a comprar um esfigmomanômetro, fiquei assustado mesmo. Dos cinco sintomas principais do aneurisma cerebral (vide google) só não apresentei insensibilidade em uma parte do corpo ou da face. Vi até estrelinhas piscando no céu… E o pior disso tudo é que tenho 32 anos! Acho que esse evento vascular nada agradável teve a ver, com sempre, com o trabalho. Não vou falar mais do “meu” trabalho, mas do TRABALHO. Sim, trabalho, desses convencionais, é tudo a mesma desgraça. Hum… lembrei, já falei sobre isso, antes… O problema é que, pela primeira vez, senti na pele (ou no sangue) que ele está me matando (não tenho nada contra morrer, desde que seja pelas minhas próprias mãos). E, se levarmos em conta que estou bebendo bem menos, não fumo, não perco noite, me alimento frugalmente, e até dou minhas caminhadas de vez em quando… bom, aí a coisa é grave. Coincidência ou não, acabei de ler ontem “O Ócio de Criativo” de Domenico de Masi e fiquei pensando um monte de coisa. Pensei na culpa, por exemplo. Minha empresa, atualmente, está em greve, e, como sou do interior, a gente não faz piquete, essas coisas; são poucos funcionários. Estou em casa esses dias, e, mesmo assim, não consigo relaxar. É claro que a pressão baixou, mas a mente fica sacaneando: tenho que fazer alguma coisa, tenho que fazer alguma coisa… O pior é que faço: leio, escrevo, jogo vídeo-game… mas é muito difícil não entender isso como vagabundagem! O tempo todo, fica uma voz dentro da cabeça enchendo o saco, cobrando, repreendendo, criticando. E, paradoxalmente, o medo da greve acabar coexiste com essa ânsia louca por “fazer” algo. Já falei em outro post que pro pessoal TRABALHO é suar, é chegar tarde em casa e sair cedo, é ser antiético, é puxar o saco do chefe, é ter estresse, é sofrer e ter dor de cabeça, é ter pressão alta, é não ter vida familiar, é não educar os filhos, é um monte coisa, que não vou dizer que é boa ou ruim, certo?, mas que o MERCADO gosta disso, gosta… Agora, deitar na rede, na varanda, num dia de quarta-feira, tomando uma cerveja e escutando Beatles, é o quê? E se você lê um livro e escreve algumas coisas, apesar de não contribuir para a economia, você é o quê? Bom, Domenico de Masi diz que muitos trabalhadores de hoje laboram mais que muitos escravos da Grécia antiga, por exemplo, que o que nós fazemos é comparável sim aos condenados aos “trabalhos forçados”, como os remadores das galés. Ou seja, há ou não há algo errado? Claro que há… Mas essa discussão é foda, é ampla pro caralho, e Domenico, Bertrand Russell, Albert Cossery, Paul Lafargue, dentre outros, têm muito mais bala na agulha pra destrinchar esse tema. Mas eles não ensinam como limar a culpa. Tem uma ou outra coisa nas entrelinhas, mas nada objetivo. Acho que terapia pode ajudar, mas mudar de emprego é bem mais efetivo, acredito. Dizem também que a redução da jornada de trabalho pra três ou quatro horas diárias seria uma saída, tanto para o desemprego quanto para a saúde pública… Porra, já pensou que maravilha! Qual a verdadeira riqueza hoje em dia? Pra mim, é o tempo livre. De que adianta você ter um iate, ou uma casa na montanha, se você só pode usufruir disso poucos dias no ano, por exemplo? Isso é riqueza? Ter e não poder usufruir? Não seria melhor ser classe média baixa e poder gozar o mundo ao redor, ter a possibilidade de descansar, ler, estudar, jogar, conversar, brincar, andar, pedalar, rir, amar, assistir a um bom filme, pescar, tomar banho de rio? Não seria bem melhor ter a possibilidade de acordar uma dia de quarta-feira e poder dizer: hoje, vou tomar todas e não tô nem aí? Mas como fazer isso sem culpa? Como ganhar pouco, trabalhando pouco, é claro, sem ficar sendo influenciado pelo que os outros pensam ou acham de você? Como não ligar pras pessoas? Onde se aprende isso? Quem ensina isso? Acho que quem descobrir, terá encontrado a chave da arca do tesouro…