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Sim, o carro estava muito rápido. Eu falei… fiquei falando pra Renato, dizendo que ele corria demais. Daí, sai aquele cavalo do meio do mato, no acostamento… Não quis me ver, nem os caras… Eles não acreditavam… devem estar um pouco perdidos. Não que eu não esteja, mas acho que estou menos perturbado que eles, certamente. É estranho demais… Tudo transcorre como num imenso sonho, um sonho do qual você sabe que dificilmente acordará. É preciso reaprender tudo. Não foi culpa minha, “Eles” sabem. Espero que sejam generosos comigo, que preparem algo melhor para mim, lá na frente. Um outro mundo, talvez… menos perturbado que esse. Quem disse que a alma não cansa? É um cansaço pior que o do corpo, pois é ancestral e inacessível. Ninguém nos ensina a pôr a alma pra relaxar. Mas é aqui que a sensação é mais forte… Apesar disso… bom, sinto-me melhor do que na semana passada… exceto pela saudade de uns entes queridos. Queria ter visto meu filho crescer… isso dói. É claro que posso ficar perto dele, mas… sei lá… não estou pronto, ainda… para revê-lo. Seu estado não deve ser dos melhores… ele ainda chora, e eu chorarei com ele, e isso é ruim. Partidas são difíceis. Isso é algo com que jamais me acostumei. Quando a visita é boa, você quer que fique para sempre. Em meio a tanta tristeza, apegamo-nos ao que é bom… e isso, a cada dia, fica mais e mais forte. Há pouca coisas boas. Meu garoto era uma delas. Espero que ele siga bem. Bom… o futuro… ora, se as coisas continuarem assim, vou colar nele, para ajudar um pouco. Fiz muitas merdas e posso dar-lhe boas dicas de como se safar, ainda mais agora, que estamos todos indo pro buraco. Mas devo preparar-me melhor… O tempo todo é essa sensação… como se a gente quisesse chorar. As lembranças vêm muito fortes, memórias que eu achava que não tinha… ora veja… usei até jaqueta de couro, um tempo. Andei a cavalo, pesquei com lança e tudo mais. Há muito verde, sempre. A natureza virgem sempre me emocionou. Minha mãe dizia que eu parecia “índio”. Ela falava pejorativamente, mas não estava de todo errada. De fato, acho que os índios gozavam de certo sossego, embora guerreassem entre si e tudo mais. Posso ter sido um deles, certamente. A jaqueta de couro é que não entra na cabeça. É melhor parar de pensar nela. Que fique a intuição, de modo a evitá-la, sempre que possível. O que fazer, agora? Para onde ir? Só com o pensamento é possível singrar as mais absurdas distâncias, mas até isso enche o saco… se não tem um objetivo. Tudo precisa de um objetivo, afinal. Ficar parado, só olhando, observando, não leva a nada… mas, como agir, num âmbito imaterial? Bom, certamente isso é algo que nos obriga a retornar… A purificação está no pensamento, em só pensar, e agir através dele, do pensamento. Mas como fazer isso, como chegar a esse nível? Como se chegar ao nível de efetivamente atuar através do pensamento? Seres físicos são seres da ação… não é mais o caso, agora. Como eu dizia há uma semana atrás: “preciso respirar”. É interessante, vivemos uma vida toda sensual, mas, no fim, só resta o pensamento. É como se fosse nosso esqueleto, agora, ou nosso sangue… sei lá… Preciso respirar… preciso respirar…


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