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Category Archives: Desgraça Humana

Olá pessoal do Armazém. É com muito prazer que “linco” esse documentário fantástico sobre a história recente da América Latina. Aqui, vemos o que se passa na Guatemala, Bolívia, Venezuela e alguns outros países da região e como os EUA os estupram. O documentário em bem costurado e embasado, sem pontas ou arestas. Tem muita informação importante. Você, que estiver lendo esse post, se puder, análise esse material, digo, o vídeo, e, se gostar, passe para outras pessoas. Mais uma vez, vou falar em revolução: a revolução é interna, é dentro de cada coração, dentro de cada mente. Parem de assistir TV e busquem a verdade na Internet. Por enquanto, a Internet é o único lugar onde ainda se pode ver um pouco de democracia e liberdade de expressão.

Ps.: parabéns a quem inseriu as legendas no vídeo. É muito importante esse tipo de ação, verdadeiramente revolucionária.

Esta mensagem é pra quem acredita no Espírito.

Quem quiser enxergar, e mesmo aquele cujas “vistas” não estejam lá muito boas, poderá verificar que vivemos um momento depressivo… no mundo todo. Fala-se que os grandes líderes das grandes potências são devotos e invocadores de demônios. Diz-se que Bush pai incorpora um tal de Moloch, uma entidade das mais perversas que se possa pensar, o verdadeiro filho de Satã. Bush pai participa de uma sociedade secreta chamada Skul e Bones, sediada na universidade americana de Yale e lá o nome verdadeiro dele é o desse demônio, Moloch. O filho dele segue pelo mesmo caminho, e o pai também, Prescot Bush, que durante a segunda guerra ajudou a financiar Hitler. Alguém liga pra isso? Não, ninguém liga. É ficção, é teoria da conspiração, dizem muitos. Na Inglaterra, Tony Blair é um Illuminati do 33º grau, um grande satanista e invocador de demônios. Há rituais macabros em que ele e a alta nobreza inglesa participam… os demônios pedem sacrifícios, muitos sacrifícios, que lhes são concedidos. Mas isso não é suficiente, é preciso manter a população em constante estado de tensão, é preciso manter as pessoas desesperadas, com medo, aterrorizadas, para que se sustente o status quo. Para isso, a TV, diariamente, nos bombardeia com imagens de morte, de ameaças, mensagens subliminares de todo tipo, sexo depravado… As pessoas são depositários de todo o lixo manipulador da elite, mas elas não ligam… ninguém liga… amizade? Só rindo, mesmo… O que é amizade? Isso não existe mais. Amor! Ora, amor é coisa do passado… Solidariedade?! Fora de moda… No trabalho, somos torturados. Claro, é só lembrar que a palavra trabalho vem do latim tripalium, e isso não é a toa. O trabalhador moderno é tão somente uma nova categoria de escravo, é aquele que vai de bom grado e reza para continuar do jeito que está. Quem pensa diferente é preguiçoso e vagabundo… Fico pensando no mundo que daremos aos nossos filhos… um mundo dominado por satanistas, que fazem guerras para seus Baphomets, existam eles ou não… mas existem, podem ter certeza. Se você acha tudo isso tolice, te peço o seguinte: pense que todos os dias morrem de fome 26000 crianças. Pense no seu filho morrendo de fome. É um bom pensamento? Certamente que não. Imagine-se impotente para aplacar a fome daquele pequeno ser que depende totalmente de você, e você nada pode fazer. É triste não é? Sabia que o que os EUA gastaram com a invasão do Iraque dava pra matar a fome de todo o continente africano? Sabia que o que se gasta com armas e guerras no mundo, daria para acabar com a pobreza no mundo? E você acha que isso é só “economia” e “geopolítica”? Não, meus amigos, não é só isso. É maldade, é o gosto de se fazer o mal. Fazer o mal é bom porque é fácil, o retorno é rápido. Mentira, omissão, roubo, assassinato, prostituição, tudo isso, certamente te fará crescer aqui na terra. Fique certo disso. Associe-se a um demônio bem maligno e você verá suas terras se multiplicarem, seu dinheiro render, mas, seja mau de qualquer forma. Entregue sua alma a um ser desse, e não haverá prazer terreno que você não experimente… Mas entenda, observe a Natureza: há duas palavras mágicas. Quais são? Ação e reação. Não pense que suas atitudes não reverberam no cosmos, elas reverberam. O seu pensamento ultrapassa as barreiras mais distantes e inimagináveis… E há quem te veja e te observe, pode ter certeza, pois o equilíbrio da Natureza precisa ser mantido. Os seres superiores estão apenas esperando o momento certo de agir. Certamente, com tantos espíritos errantes vagando pela terra, por conta de tantas mortes em louvor ao diabo, algo está para acontecer… Isso independe de religião, ou o que quer que seja. É preciso abrir um parêntese para colocar que muitos grandes cientistas, são cabalistas, magos negros, francomaçons, illuminati, simples satanistas… É só dar uma olhada nos quatro principais nomes do projeto Manhatam. Fala-se que a primeira explosão atômica serviu para energizar um Golem com o “poder atômico de Satã”… algo que os velhos alquimistas tentaram durante séculos… Dizem que o Anticristo já está entre nós, e nasceu no séc. XX… especulações? Loucura? Tolice? Hoje, já não sei. Veja-se o que acontece no Tibet, na Africa, no Leste Europeu, em muitas regiões da Ásia, e é claro, na América Latina. Já é sabido, cientificamente, que o Banco Mundial, o FMI, a ONU, a Comissão das Relações Exteriores, e a Comunidade Europeia, não trouxeram quaisquer progressos à humanidade. É só olhar as estatísticas em sites sérios, que não temem mostrar a verdade. As orientações do FMI são meros métodos de empobrecimento planejado. Servem para manter os países sob seu jugo na miséria… quando isso falha, quando surge um Hugo Chavez da vida, eles mandam matar. Pergunta-se até quando Chavez sobreviverá, e  muitos dizem que até a chegada no novo republicano na presidência dos EUA. Foi preciso colocar um negro lá… Os atentados de 11 de setembro ainda são uma ferida bem aberta… e a mídia alternativa tem sido bem enfática em mostrar que esses ataques foram planejados internamente, pelo próprio governo Bush. Tanto para jogar milhares de almas no desespero (provocando assim uma catástrofe no mundo espiritual, o que é bom para os demônios, os seres do mal), como para seguir uma agenda de “trabalho”. Os ânimos ficaram acirrados, muita gente foi pra rua protestar (é claro que a CNN, a FOX, a CBS, e as outras tv’s grandes não mostraram nem vão mostrar isso – seus altos executivos têm o rabo preso, como aqui na Globo, SBT, Record, Cultura…). Então , o que eles fizeram? Colocaram um cara negro e “democrata”… muito conveniente, de fato. O cara ganhou até Nobel da paz… Será que não tinha ninguém mais engajado, não? Acho que tinha… certamente. Só no Tibet tem uns duzentos. Mas tudo faz parte de um pacote: a gente bota um negão, com cara de gente fina, manda ele tomar umas medidas populares e dá um Nobel pra ele… O povo engole essa porra igual a água… Até eu engoli… A verdade é que Obama é cria de Wall Street, teve a campanha toda financiada pelos grandões de lá, e não há diferenças entre nenhum líder de nada, hoje em dia. Todos respondem ao grande capital, que por sua vez responde ao Diabo. Diante de tanta desgraça, só nos resta fazer uma coisa: manter o corpo fechado, criar um escudo para o mal não entrar. O que eu tenho feito. Deixe de olhar um pouco para o seu umbigo e olhe um pouco para o seu coração. O mundo ainda tem jeito, mas precisamos perder o medo de olhar além. Acredito que a revolução virá quando as almas e os corações do bem assumirem que estão sendo subjugadas pelo mal. Pensem nas crianças, pelo menos. Pense que você já foi criança e que se os adultos de sua época tivessem sido menos acomodados, você teria herdado um mundo menos pior. Vamos pensar, vamos agir…

Segue abaixo uma lista de sites, onde há muito material para pesquisa. Divulguem esses sites, divulguem a ideia de que as coisas devem e vão melhorar.

http://www.youtube.com/verdadelibertavoce

http://novaordemmundial.4shared.com

http://www.enigmatv.com

http://www.youtube.com/deusmihifortis

http://www.movimentozeitgeist.com.br




Esse vídeo é uma pérola. Um pastor de uma dessas igrejas que pululam por aí, vai pregar e começa a falar em línguas. Em seguida, “tomado de êxtase”, começa a rodar tresloucado. É engraçado pra cacete. Mas fico pensando: essa galera, que acredita mesmos nessas coisas, deve ser feliz. O cara vai prum culto desse, vê o pastor rodar igual uma pomba-gira e nesse momento o sujeito lava a alma. Sai burro, do mesmo jeito que entrou, mas em compensação mais esperançoso, pois viu o pasto pião, e um cara que roda que só porra, daquela maneira, só pode ser um enviado de Deus…

Globalizacao

Recentemente, numa discussão com um amigo, reafirmei minha posição de falta de esperança na humanidade. Entretanto, apesar disso, não consigo deixar de me indignar com a brutalidade e estupidez de nossa espécie. É de se pensar que alguém como eu se torne cínico, perverso, sado-masoquista, indiferente… Mas é exatamente o contrário. Não sei porque isso ocorre. Desconheço totalmente os mecanismos psíquicos que formam alguém com meu modo de ser e de pensar, aparentemente paradoxal. Pode ser pelo simples fato de ser humano. Ainda que eu veja um bandido ser executado, ainda que saiba que ele fez mil e uma perversidades, ainda assim, embora ache que ele deva pagar com a vida, isso não me alegra nem um pouco. Recentemente vi algo que confirma isso. Um moleque roubou o celular de uma garota que saía de um colégio particular próximo à minha casa. Alguns colegas dela, que viram o roubo, uns seis ou sete, correram atrás do meliante. Quando este viu que a coisa ia ficar preta, ele jogou o celular no chão e continuou a correr, desesperadamente. Só não presenciei o momento exato do roubo, mas vi toda a correria. Fiquei imaginando se o ladrão caísse na mão da galera, e foi, no mínimo, sábia a decisão dele, de se livrar do aparelho. Mas o importante é colocar o quanto me senti mal presenciando aquilo, em plena luz do dia, ainda mais numa cidade pequena como a minha, que em tempos atrás (pouco mais de uma década), podia-se dormir num banco da praça que ninguém lhe fazia mal algum. A cidade está crescendo, a população aumentando, mas não se vê DESENVOLVIMENTO. Existe sim um retraimento absurdo da segurança pública e da qualidade de vida. Conheço gente que trabalha de sete da manhã a sete da noite para ganhar cento e sessenta reais por mês. Conheço, pessoalmente, meia dúzia de viciados em crack, e outro tanto em cocaína. Não se pode mais andar a pé sozinho por nossas ruas, após as dez da noite… A saúde continua a mesma coisa e a educação também, tudo de péssima qualidade. O povo continua se arrastando, alguns têm mais sorte como eu e outros que conseguem romper determinadas barreiras, mas é preciso respaldo pra se chegar em certos pontos. Fernando Henrique Cardos em seu cinismo exacerbado, disse, certa feita: “Como é que dizem que no Brasil não há mobilidade social? Veja o exemplo de Lula, que saiu de torneiro mecânico, para presidente da república.” Ora, dizer que há mobilidade social num país de quase duzentas milhões de pessoas, só porque um único cara chegou lá, é ser um grande sacana, ou um grande gozador. Vejamos o caso de Barack Obama, que acabou de ganhar o Nobel da Paz. Ele está na presidência porque deixaram ele ir, a indústria de armas deixou e a CIA. Quando Kennedy quis pôr fim à guerra do Vietnã, a gente sabe o que aconteceu, e também foi nesse episódio que surgiu o maior bode expiatório da história, Lee Oswald… Lula não chegou lá sozinho, e quem governa mesmo é José Dirceu e a corja dele, por trás dos bastidores, mas aí são outros quinhentos, que o diga Heloísa Helena, que não é santa, pois afinal, ninguém o é. O grande problema foi o consenso de Washington (vide Google ou Wikipédia), quando líderes de vários países, juntamente com os maiores empresários da época, elaboraram a Cartilha Neoliberal (vide Google ou Wikipédia) e ditaram as regras para o poder público, daquele dia em diante. Pra mim, nesse momento, foi quando a humanidade jogou a pá de cal em si própria. É muito simples raciocinar sobre isso: Até 1990, tinha-se a idéia (acertadíssima, em meu conceito) de que os governantes (prefeitos, vereadores, governadores de estado, etc) eram representantes dos interesses do povo. Com o consenso de Washington esse poder, ou idéia, deixou de existir e os governantes passaram a atender os interesses das empresas, que estavam muito excitadas em estender seus tentáculos para os países miseráveis, sob a justificativa de que levariam “emprego” e “desenvolvimento” para lá… foi por esse tempo que se cunhou o termo globalização, aldeia global, essas viadagens… Alguém disse que protestar contra a globalização e como protestar contra o mau tempo. Concordo, não tem jeito… mas eu penso… o que a globalização e o neoliberalismo trouxeram para nós? Carros importados? Celulares de ponta? Processadores de computador mais velozes? Acho que trouxeram doenças da alma, muito pesadas. Com a escassez de emprego (olha o paradoxo aí… os caras não disseram que tudo ia melhorar? é só reduzir a jornada semanal de trabalho que há aumento na oferta de emprego – na França é assim, Holanda, e por aí vai…) os trabalhadores vêm se sujeitando cada vez mais ao assédio moral, há muitos suicídios por conta disso. Morre-se de estresse e de câncer e ninguém tem mais tempo pra nada. É preciso se dedicar exclusivamente ao trabalho, e esquecer da família, da vida, dos amigos… Interessante que muitas pessoas que defendem esses modernismos são as mesmas que são escravizadas por elas… Com o advento da tecnologia, não se passou a trabalhar menos e ganhar, pelo menos o mesmo, passou-se a executar o trabalho de mais pessoas… Já falei sobre isso aqui. Quem tem dinheiro, hoje em dia, para gozar das últimas tecnologias de ponta? Não somos nós, com certeza, que fazemos parte da maioria esmagadora (ou esmagada). Assim, Lula não é representante do meu interesse, eu que o ajudei a colocá-lo onde ele está. Mas tanto faz Lula quanto Alckmin ou Serra… todos fariam o que Lula está fazendo, ainda que digam que Alckmin privatizaria até a mãe dele… Governar o Brasil, hoje em dia, consiste em sentar com os representantes da Fiesp, da Fenabam e aumentar os impostos para a classe média (classe essa que deixará de existir, daqui a alguns anos). Enfim, cansei de escrever. Nada disso é novo, mas nenhum boi morreu até hoje por ruminar, muito antes pelo contrário.

Stanley Milgram, psicólogo social americano, estudou entre 1950 e 1963 os fenômenos de submissão à autoridade. Seu método era o seguinte: “Uma pessoa vem a um laboratório de psicologia, onde se lhe pede que execute uma série de ações que vão, progressivamente, entrar em conflito com a sua consciência. A questão é saber até que ponto ela seguirá as instruções do pesquisador antes de recusar-se a executar as ações prescritas.” Em sua conclusão, Milgran é levado a crer que “pessoas comuns, desprovidas de qualquer hostilidade, podem, simplesmente, para levar a cabo as tarefas, tornar-se agentes de um atroz processo de destruição”. Essa constatação é ratificada por Christophe Dejours, que fala da banalização social do mal.


Marie-France Hirigoyen em seu livro Assédio Moral – A Violência Perversa no Cotidiano

Atletas do tiro aguardam ansiosamente os jogos do Rio

Atletas do tiro aguardam ansiosamente as olimpíadas do Rio

Mais uma merda pra terminar de foder com tudo. Como se já não bastasse uma porra de uma copa em 2014, agora olimpíadas em 2016… Duas catástrofes anunciadas com diferença de apenas dois anos. Imaginem, o Rio de Janeiro vai gastar R$ 29 bilhões pra sediar os jogos olímpicos… Daí fico pensado, “por que cabrunco Chicago perdeu?” Não entra em minha cabeça. Onde o Rio de Janeiro é melhor que Chicago? Onde o RJ é melhor que Tóquio e Madri? Em lugar nenhum, só na cabeça dos loucos que inventaram essa droga. Vi em algum lugar que estima-se que quase seis milhões de empregos serão gerados com isso, mas acredito que “empregos” é melhor que empregos, sem aspas. Pois, trabalhos na área de construção civil e serviços não são necessariamente empregos, são trabalhos. Vão construir um monte de merda, estádios, ginásios e o escambau, um monte de gente vai ser ajudante de pedreiro, mestre de obras essas porras, e depois? Vai ficar todo mundo de mão abanando, é claro. Alguém pode falar: mas as obras estarão lá, elas serão usadas para incrementar o esporte e tal. E aí eu pergunto: quem disse isso? É preciso grana e cultura pra se manter os centros desportivos. Será que daqui pra 2016 o Brasil vai mudar sua cultura predatória, corrupta e imediatista e pelo menos estimular e patrocinar uma meia dúzia de atletas pra quem sabe a gente sair com um punhadinho de medalhinhas de ouro e prata, ou até mesmo bronze? Mas quando falo de patrocínio, essas coisas, nem vou todo no fundo da questão, afinal, em se tratando de nosso país lindo, o buraco, é sempre, mas sempre muito mais embaixo. Quem conhece um colégio que forma atletas, aqui? Eu não conheço. Quem forma os jogadores de futebol são as ruas… O resto é um punhado de sonhador, que vez ou outra chega lá. Nossas escolas são verdadeiros lixos, nossos professores são marginalizados, mal pagos, desacreditados, mal preparados… Como formar atletas? Não há como! De uns anos pra cá, se instituiu a cultura dos cursos técnicos, visando a indústria… nossa mãe! vamos pensar um pouquinho… A indústria está indo pra onde? Está saindo (já saiu, melhor dizendo) dos países de primeiro mundo pros de terceiro e quarto, como o nosso. Lá fora, onde o povo é mais esperto, as escolas preparam o cidadão não pra ser um torneiro mecânico, um pintor de paredes, um apertador de porcas (que os imigrantes servem pra isso muito bem), o cidadão é formado pra se moldar ao mundo, pra se adaptar à realidade, criando alternativas, desenvolvendo trabalhos seus, resumindo, o cara é convidado a usar a criatividade o tempo todo. Isso gera arte de alta qualidade, arquitetura de alta qualidade, design, projetos científicos eficientes e inovadores, tecnologias baratas e efetivas… enfim, o que se vê por lá… e aqui? Estamos formando gente que vai engrossar o caldo do exército de reserva pras grandes multinacionais e um dia elas vão pra África e depois pra um lugar ainda mais fodido e desesperado. E a verdade é que quando essas multinacionais saíram de seus países de origem o povo estava preparado pra isso, o povo estava preparado para as grandes ondas de desemprego e nem ligou. Deu foi graças a Deus por se ver livre desses miseráveis sanguessugas da vida humana e passou a adotar, quase inconscientemente novas formas de viver, de compreender e interagir com o mundo. Por exemplo, hoje, na França, há muitas regiões com taxa de crescimento populacional negativo, e o governo está estimulando as pessoas a reproduzirem… Mas é claro que elas não vão acatar essa decisão, pois são pessoas francesas e elas sabem que o governo só quer foder todo mundo, desde que não sejam grandes empresários. Mas isso tudo serve pra mostrar que não temos cultura, nem nunca teremos, enquanto a educação não sofrer uma pesada e revolucionária reformulação. Assim que a copa e as olimpíadas passarem, todo mundo vai esquecer. Uns poucos vão lucrar pro caralho, como sempre, as atenções ficarão voltadas para a festa (daí poderão acontecer, por exemplo, alguns bons escândalos de corrupção no governo, que ninguém vai notar) e tudo, os ginásios, os estádios, tudo será tomado pelo mato, vai virar sucata, pois aqui ninguém sabe cuidar nem zelar por nada e o povo só aprendeu a gostar de futebol, e em seis anos isso não muda.

Eu só seria favorável ao Brasil sediar uma copa e uma olimpíada daqui há uns cinqüenta anos, depois de uma revolução na educação (já pensou, aplicar R$ 29 bilhões na educação, em sei anos! Tenho certeza que os resultados para o país seriam bem melhores a médio e longo prazo), que transformasse o país num país decente, de gente esperta, sábia, criativa e cuidadosa… Aí sim, valeria a pena. Mas nosso povo ainda é muito burro, imediatista e deslumbrado…

guir

"Menor Aprendiz"

Na semana passada minha pressão foi pra 15/8. Cheguei a comprar um esfigmomanômetro, fiquei assustado mesmo. Dos cinco sintomas principais do aneurisma cerebral (vide google) só não apresentei insensibilidade em uma parte do corpo ou da face. Vi até estrelinhas piscando no céu… E o pior disso tudo é que tenho 32 anos! Acho que esse evento vascular nada agradável teve a ver, com sempre, com o trabalho. Não vou falar mais do “meu” trabalho, mas do TRABALHO. Sim, trabalho, desses convencionais, é tudo a mesma desgraça. Hum… lembrei, já falei sobre isso, antes… O problema é que, pela primeira vez, senti na pele (ou no sangue) que ele está me matando (não tenho nada contra morrer, desde que seja pelas minhas próprias mãos). E, se levarmos em conta que estou bebendo bem menos, não fumo, não perco noite, me alimento frugalmente, e até dou minhas caminhadas de vez em quando… bom, aí a coisa é grave. Coincidência ou não, acabei de ler ontem “O Ócio de Criativo” de Domenico de Masi e fiquei pensando um monte de coisa. Pensei na culpa, por exemplo. Minha empresa, atualmente, está em greve, e, como sou do interior, a gente não faz piquete, essas coisas; são poucos funcionários. Estou em casa esses dias, e, mesmo assim, não consigo relaxar. É claro que a pressão baixou, mas a mente fica sacaneando: tenho que fazer alguma coisa, tenho que fazer alguma coisa… O pior é que faço: leio, escrevo, jogo vídeo-game… mas é muito difícil não entender isso como vagabundagem! O tempo todo, fica uma voz dentro da cabeça enchendo o saco, cobrando, repreendendo, criticando. E, paradoxalmente, o medo da greve acabar coexiste com essa ânsia louca por “fazer” algo. Já falei em outro post que pro pessoal TRABALHO é suar, é chegar tarde em casa e sair cedo, é ser antiético, é puxar o saco do chefe, é ter estresse, é sofrer e ter dor de cabeça, é ter pressão alta, é não ter vida familiar, é não educar os filhos, é um monte coisa, que não vou dizer que é boa ou ruim, certo?, mas que o MERCADO gosta disso, gosta… Agora, deitar na rede, na varanda, num dia de quarta-feira, tomando uma cerveja e escutando Beatles, é o quê? E se você lê um livro e escreve algumas coisas, apesar de não contribuir para a economia, você é o quê? Bom, Domenico de Masi diz que muitos trabalhadores de hoje laboram mais que muitos escravos da Grécia antiga, por exemplo, que o que nós fazemos é comparável sim aos condenados aos “trabalhos forçados”, como os remadores das galés. Ou seja, há ou não há algo errado? Claro que há… Mas essa discussão é foda, é ampla pro caralho, e Domenico, Bertrand Russell, Albert Cossery, Paul Lafargue, dentre outros, têm muito mais bala na agulha pra destrinchar esse tema. Mas eles não ensinam como limar a culpa. Tem uma ou outra coisa nas entrelinhas, mas nada objetivo. Acho que terapia pode ajudar, mas mudar de emprego é bem mais efetivo, acredito. Dizem também que a redução da jornada de trabalho pra três ou quatro horas diárias seria uma saída, tanto para o desemprego quanto para a saúde pública… Porra, já pensou que maravilha! Qual a verdadeira riqueza hoje em dia? Pra mim, é o tempo livre. De que adianta você ter um iate, ou uma casa na montanha, se você só pode usufruir disso poucos dias no ano, por exemplo? Isso é riqueza? Ter e não poder usufruir? Não seria melhor ser classe média baixa e poder gozar o mundo ao redor, ter a possibilidade de descansar, ler, estudar, jogar, conversar, brincar, andar, pedalar, rir, amar, assistir a um bom filme, pescar, tomar banho de rio? Não seria bem melhor ter a possibilidade de acordar uma dia de quarta-feira e poder dizer: hoje, vou tomar todas e não tô nem aí? Mas como fazer isso sem culpa? Como ganhar pouco, trabalhando pouco, é claro, sem ficar sendo influenciado pelo que os outros pensam ou acham de você? Como não ligar pras pessoas? Onde se aprende isso? Quem ensina isso? Acho que quem descobrir, terá encontrado a chave da arca do tesouro…

… a empresa, por sua própria natureza, é uma instituição total, onívora, que gostaria de absorver o trabalhador o tempo todo. Se pudesse, o faria dormir no emprego. É uma necessidade psicológica, semelhante à que liga a vítima ao seu carrasco. O chefe não consegue abrir mão dos empregados subordinados a ele, e estes, por sua vez, não conseguem abrir mão da subordinação do chefe.

O funcionário deve demonstrar ao chefe que o tempo não é suficiente, que tem muita coisa para fazer e que é tão prestimoso e fiel à empresa, que se dispõe a assumir todas essas tarefas no overtime, até mesmo gratuitamente. Portanto, sacrifica a família e o lazer a este mito que é a empresa, colocado em primeiro lugar, acima de qualquer coisa.

Por conseguinte, o chefe age de modo que a promoção, o aumento salarial ou somente o relacionamento de confiança dependam da fidelidade do empregado para com a empresa. O overtime, no final das contas, serve para fazer companhia ao chefe: é um modo de demonstrar a ele uma devoção zelosa.


Domenico de Masi.

Todos os homens, de todos os tempos, e ainda os de hoje, dividem-se entre escravos e livres, porque quem não dispõe de dois terços do próprio dia é um escravo, não importa o que seja o resto: homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso.

Friedrich Nietzsche.

Procuro sempre manter minha TV desligada, como sempre fiz, faço e continuarei a fazer caso minhas faculdades mentais permaneçam como estão (nem muito boas, nem muito ruins). Mas vez ou outra, você se pega numa situação onde ela, a TV, lhe acua. O troço fica ligado na sua frente e acabou, algo lhe puxa e sua cabeça fica ali, parada, diante da tela. Nessa sexta tive o imenso desprazer de assistir a um lixo que se chama Ó Paí Ó. Sou baiano, e aquilo não é a Bahia. Sempre que as TV’s do sul invocam conosco é tratando mal, é desfazendo, é caricaturando. Isso sempre aconteceu. As mulheres são todas putas e/ou beatas dementes, os homens são todos imbecis e cornos, todo mundo fala arrastado e aos berros, a história supõe um humor que não existe, sem falar da preguiça crônica que nos aflige, desde a época de Cabral. Mas Ó Paí Ó bateu todos os recordes de sacanagem televisiva que um povo pode fazer contra ele mesmo, certamente. Enquanto via aquele monte de barbaridades, tolices, sandices, trejeitos e gritos sem sentido, foi como se alguém, com o dedo em riste, apontasse pra minha cara e dissesse: “antes isso que nada, seu baiano de merda! ‘Fale mal, mas fale de mim!’”. Aquela é uma realidade local, de um local de Salvador, mais precisamente do Pelourinho. Respeito o pessoal do Pelourinho e sei que há dificuldades enormes por lá. Tenho certeza que as coisas são mais sérias do que parecem, que há muita prostituição, analfabetismo, doença e tristeza. Há tempos que os baianos conscientes sabem que essa alegria toda, na verdade, é uma forma de disfarçar a profunda melancolia que abate nossas vidas sem rumo. Toda essa sexualidade, toda essa explosão, toda essa movimentação, é mais como a atitude de alguém que sabe que o mundo vai acabar amanhã e quer botar pra quebrar hoje e agora. Não consigo enxergar a vida do povo do Pelourinho como algo a ser admirado. Posso admirar sim sua capacidade de sobreviver e querer continuar a viver apesar de tudo, mas fazer um suposto humor em cima de situações como a da grávida que pena por vários hospitais pra da à luz é uma puta de uma sacanagem – o problema tem que ser mostrado, mas não como algo natural, quase cômico (que na verdade é – o que não é novidade, aqui pra nós), e sim como um escândalo (que deveria ser). Nos acostumamos a sofrer humilhações e Ó Paí Ó é uma prova disso. Perdemos o direito a auto-estima, como se auto-estima fosse orgulho. A Bahia não é o melhor lugar do mundo, mas é onde eu vivo e me senti desrespeitado com essa porra dessa série, que espero que acabe logo.