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Category Archives: Filmes

Michael Clayton é um filme simples, como Syriana é, só que o cara tem que prestar atenção e ter interesse pelo tema: a sacanagem corporativa que nos engloba dia após dia. Vi um monte de gente falar mal de Michael Clayton, assim como de Syriana e outros filmes de Clooney nessa linha como Boa Noite e Boa Sorte e Confissões de Uma Mente Perigosa. O sacana do George Clooney é engajado, é um americano, mas é gente fina. Michael Clayton… bom, só assistindo o filme. Clooney é o advogado de uma empresa super escrota que fabrica um herbicida assassino. As famílias de um monte de gente que morreu por conta desse herbicida, é claro, picam a empresa na justiça… Um dos advogados empenhados em salvar o nome da empresa endoida e ameaça lançar ao conhecimento do grande público um dossiê que acaba com meio mundo… Clayton, coligado do advogado maluco, viciado em jogo, separado, todo problemático, se vê diante de questões morais a cada cinco, seis minutos e é aí que a porca torce o rabo. Quem não consegue enxergar essas questões morais – e viajar nelas -, vai achar o filme enjoado… Na verdade, imagino que haja até bastante gente que enxergue, mas que sempre diz assim, no fim das contas: “na ficção tudo é lindo, mas na vida real…” Bom, nos habituamos a esse chavão; a cada dia que passa, fica mais difícil não entender a ética e a moral como falta de tino, de esperteza, etc… Entretanto, em minha modesta opinião, e fiquem tranqüilos, não vou entregar o jogo, o final do filme é que é apoteótico, sublime, maravilhoso. Alimenta nossa combalida esperança… pelo menos os caras que fizeram o filme têm essa consciência, e isso já é alguma coisa, sem falar que as cópias são distribuídas pela Columbia Pictures, que é uma mega-corporação. Isto prova que o sistema é quase uma ilusão, ou melhor, um pesadelo, criado por nós mesmos, afinal, a Columbia Pictures não se importa de “financiar” quem fala mal da cama onde ela assenta, desde que isso dê lucro… É uma loucura… É pra se pensar… pensa, meu povo, pensa…

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A idéia de Borat é bastante simples: um filme que parodia um documentário. O suposto documentário é sobre um cara do Cazaquistão, que trabalha na TV de lá, e que vai às custas do governo para os E.U.A. a fim de aprender sobre a cultura deste país. A idéia é fazer o povo do Cazaquistão melhorar de vida, tendo como modelo o americano. Só isso aí já é uma grande piada, mas nem é a ponta do iceberg do tanto de risada que a gente acaba dando. Só pra início de conversa, Borat acaba se apaixonando por Pamela Anderson, depois de assistir um episósio de Baywatch no hotel, em sua primeira noite em Nova Iorque. Incialmente ele teria de ficar em Nova Iorque e acaba mudando todo o roteiro da viagem para ir para a California encontrar sua musa. O filme é todo repleto de partes engraçadas mas nenhuma se compara à sua luta no quarto de hotel com seu companheiro de viagem, Azamat, quando Borat o flagra tocando uma na intenção de Pamela. Acontece que Azamat estava usando uma revista que Borat tinha comprado na mão de uma “Cigana” (na verdade uma corôa suburbana que tava limpando o porão e fazendo uma daquelas feiras de garagem – esqueci o nome que se dá a essa porra) e aí os caras se engalfinham, quebram o quarto do hotel todo e ainda saem nus correndo por tudo quanto é canto… Mas isso é só uma das muitas piadas deste filme cujo maior mérito nem é tanto a comédia em si (que é umas das melhores coisas já feitas neste campo em décadas) quanto o é o lado da crítica pesada anti-americana. O filme fala principalmente do ufanismo e do preconceito feroz dos americanos e brinca com isso de maneira bastante ácida, sem ser, contudo, político demais. Inclusive Borat faz de tudo pra ser politicamente incorreto… Mas assistam o filme, senão eu saio contando tudo…