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Estou lendo o grande John Steinbeck. Li o fenomenal A Leste do Éden e leio agora As Vinhas da Ira. O cara é americano, mas seu espírito é socialista – algo bastante curioso. É bom ver um cara de lá, ganhador do Nobel, falando do esquema que rola por lá e metendo o pau. Sua literatura é extremamente acessível, sem muitos floreiros. Steinbeck escreve com precisão e justeza. Tudo é muito sóbrio e sem excessos. É, sem sombra de dúvidas, alguém que deve ser pesquisado por quem pensa e gosta de escrever.

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Não estou assistindo as olimpíadas da China. Odeio a China. Odeio quem desrespeita os direitos humanos. Mas penso um pouco sobre isso… Não há como. Fico pensando nos brasileiros que lá estão. O que vale mais? Um brasileiro que ganha um ouro ou um americano que ganha sete ouros? O cara sai daqui sem nada, sem apoio nenhum, vai lá, se bate com gente que se alimenta do esporte e ganha. Isso, de fato, é idealismo. A vitória de um idealista vale pela de mil existencialistas. Odeio os existencialistas, os chineses são existencialistas… ou melhor, “estão”.

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As eleições para prefeito e vereador estão chegando. Grande porcaria. É só carro de som pra cima e pra baixo e um rebanho de filho da puta querendo ganhar no mole. Eu gostaria muito de ganhar no mole, mas minha consciência ia pesar se fosse às custas do suor dos outros. É engraçado como ninguém fala mais sobre educação. Antes, a quinze, vinte anos atrás parecia haver uma certa preocupação a respeito – certamente, por influência dos mais velhos. Hoje, é só consumismo e putaria. É incrível como o brasileiro dissocia a geração de riqueza do conhecimento. Gerar riqueza, para nós, é quebrar pedra, e suar, é arrastar troncos de madeira, é dormir tarde e acordar cedo, é morrer cedo, é dar a bunda e chupar pau, é cortar a mão, é sangrar… Nada disso, gerar riqueza é ser estratégico como os ingleses, que não nos querem (nós tupiniquins) mais lá de jeito nenhum – e com razão. Se eu fosse inglês não ia querer ter um vizinho brasileiro – vide o carinha de Goiás que matou a guria inglesa. Para se ser estratégico é preciso ter conhecimento e isso eles tem. Esse conhecimento vem de uma cultura fundamentada numa ampla visão futurista e não exploratória (ao menos, não tão exploratória quanto a de Portugal). Eles também são filhos da puta, afinal são seres humanos, mas são menos filhos da puta que nós, certamente. Que isso nos sirva de lição, afinal estamos sendo execrados. O mundo está se rebelando contra nós. Atualmente, a coisa que mais chateia a galera de fora é nossa indiferença com a Amazônia. E Lula fica de cara amarrada, querendo brincar de roda no Mercosul. Toda vez que vem uma bordoada do primeiro mundo, Lula fala no Mercosul. Grande porcaria. Grande monte de lixo. A gente não sabe nada e quem manda é quem detém o conhecimento. Não há esperança sem uma revolução urgente urgentíssima no sistema educacional. Daí, quem sabe daqui a uns quarenta anos – se o mundo ainda existir – a gente possa sonhar com o primeiro mundo.

Quem é baiano sabe a mania que a gente tem de trocar Jorge Amado por Dorival Caymmi e vice-versa. No post logo abaixo fiz isso de uma forma bem descarada, mas o erro já foi corrigido. Abraços e perdão aos amigos blogueiros.